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Corina Machado diz que Venezuela já iniciou transição e Delcy cumpre 'ordens' dos EUA
A Venezuela já iniciou "uma verdadeira transição para a democracia" com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é quem dá as "ordens" à presidente interina Delcy Rodríguez, declarou a líder opositora María Corina Machado nesta sexta-feira (16).
A prioridade neste "processo complexo" é a libertação dos presos políticos, disse Corina Machado após ser recebida por Trump na quinta-feira.
Em sua primeira entrevista coletiva após entregar sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump, Corina Machado se esforçou para passar a imagem de que tem interlocução direta com o mandatário, embora o inquilino da Casa Branca priorize claramente a estabilidade no país sul-americano e o petróleo.
O diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), John Ratcliffe, se reuniu com Delcy, a herdeira provisória do presidente deposto Nicolás Maduro, na quinta-feira, para "melhorar as relações de trabalho".
Corina Machado assegurou ficar feliz com essas reuniões. Segundo ela, Delcy, "sem dúvida, tem informação que deve ser de alto valor para o diretor da CIA".
"Ela não está confortável. Ela está cumprindo ordens porque, afinal, se algo ficou demonstrado em 3 de janeiro é que tinha que haver uma ameaça real", declarou, em alusão ao ataque com o qual os Estados Unidos depuseram o presidente Nicolás Maduro, agora preso em Nova York.
"Quero garantir ao povo venezuelano que a Venezuela será livre, e que isso será conseguido com o apoio dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump", frisou.
"Isso não tem nada a ver com uma tensão ou uma decisão [do presidente Trump] entre Delcy Rodríguez e eu. Isso é sobre um cartel e a justiça", acrescentou.
Trump declarou depois que continuará o diálogo com a líder opositora. "Acho que é uma mulher educada, e voltaremos a nos falar", disse ele aos jornalistas.
Em paralelo, um novo voo com 231 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos aterrissou nesta sexta-feira no aeroporto que serve Caracas, o primeiro após a incursão militar americana.
- "Obrigado a desmantelar a si mesmo" -
O destino desses opositores, que foram às ruas maciçamente em 2024 para protestar contra as eleições que o governo declarou legítimas, é a principal preocupação, confessou Corina Machado, ao assegurar que, após meses na clandestinidade, aprecia agora especialmente "dormir, poder abrir uma janela".
"Voltarei à Venezuela assim que possível", prometeu. "Mas não sou só eu, são milhões de venezuelanos", acrescentou.
Trump reviveu a chamada "Doutrina Monroe", em alusão à pretensão dos Estados Unidos de controlar estritamente os destinos da América Latina e do Caribe, tanto de ingerências "externas", com a crescente presença chinesa e os movimentos de Irã e Rússia na região, quanto do que ele considera uma falta de colaboração de alguns países para sua luta contra a imigração irregular e o tráfico de drogas.
Corina Machado lembrou que o seu país já contava com presença da Rússia, de militares cubanos e do Irã há anos.
A opositora indicou que sentiu, da parte de Trump, "um enorme respeito pelo povo da Venezuela".
"Senti que o tempo passava, que podíamos conversar sobre todos os assuntos com absoluta honestidade e franqueza", acrescentou.
A.Jones--AMWN