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Harry, o retorno do filho pródigo ao Reino Unido
Depois de anos de confronto com a família real britânica, o príncipe Harry parece ansiar por uma reconciliação em seu retorno ao Reino Unido.
A imprensa britânica anunciou que o duque de Sussex, de 41 anos, deixará a Califórnia, para onde se mudou em 2020 com a esposa Meghan Markle e o filho Archie. Em 2021, nasceu a filha Lilibet.
Na Califórnia, Harry publicou sua autobiografia, "O que sobra", na qual narrou sua infância, marcada pela morte da mãe, a princesa Diana, sua aversão à imprensa sensacionalista britânica e suas discussões com seu irmão William, herdeiro do trono.
Para o historiador Ed Owens, um fator que motiva o retorno "é a reconciliação com o rei e com a família em um sentido mais amplo". "Se essas feridas não forem curadas, podem ter um impacto realmente prejudicial, não apenas nas pessoas envolvidas, mas também na reputação da instituição", disse à AFP.
- Dez anos no exército -
Em 1997, Harry, aos 12 anos, comoveu o mundo caminhando atrás do caixão de sua mãe.
Aos 17 anos, fumava maconha, bebia e frequentava casas noturnas. Em 2004, aos 19, brigou com um fotógrafo na saída de uma boate. No ano seguinte, foi protagonista de um escândalo por se fantasiar de nazista em uma festa.
"Ele teve uma infância muito difícil", disse à BBC o médico especializado em trauma infantil Gabor Maté. Harry então passou um ano sabático na Austrália e na África, onde cuidou de órfãos no Lesoto e criou uma ONG em memória de sua mãe.
Em 2005, ingressou na prestigiada Academia Real Militar de Sandhurst. Sua vocação militar durou 10 anos, com duas missões no Afeganistão.
Em 2014, criou uma competição internacional para soldados feridos, os Invictus Games.
- "Bloqueei todas as minhas emoções" -
A morte da mãe o marcou para sempre. "Bloqueei todas as minhas emoções durante 20 anos", declarou ao jornal Daily Telegraph em 2017.
Em 2021, em uma série sobre saúde mental coproduzida pela apresentadora americana Oprah Winfrey, explicou que havia passado por quatro anos de terapia. Esse período coincide com seu noivado, em 2017, com Meghan Markle, seu casamento em 2018, e o nascimento de seus filhos.
Sua história de amor com Meghan, uma mulher negra, parecia destinada a dar um novo sopro de diversidade à monarquia. Mas logo surgiram tensões que o levaram a se mudar para a Califórnia e praticamente romper sua comunicação com o pai e o irmão.
Desde 2024, houve uma espécie de degelo com Charles III. Harry foi visitá‑lo quando ele anunciou que tinha câncer e voltou a vê‑lo em setembro de 2025.
Em julho deste ano, o rei e sua esposa Camilla o receberam com Meghan e os filhos, seu primeiro encontro em quatro anos. A situação é mais complexa com William, que não comentou o retorno do irmão.
- Batalhas contra a imprensa -
Harry continuou presente em seu país com organizações beneficentes e uma batalha contra a imprensa sensacionalista, a qual responsabiliza pela morte de sua mãe.
Diana morreu em um acidente de trânsito em Paris, enquanto tentava escapar dos "paparazzi".
O duque de Sussex processou grandes grupos de comunicação, acusando-os de usar métodos ilegais para obter informações sobre sua vida privada. Obteve uma vitória em 2023 sobre a editora do Daily Mirror.
Em 2025, chegou a um acordo com o proprietário do The Sun. Em 2026, os tribunais rejeitaram sua ação contra a editora do Daily Mail.
F.Schneider--AMWN