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Estudo brasileiro que desafia serpentes e mictórios antirrespingo estão entre vencedores do Ig Nobel
Caminhar sobre serpentes venenosas para descobrir quando elas decidem atacar ou projetar cientificamente um mictório que evita respingos: esses estão entre os trabalhos vencedores da edição de 2026 do Ig Nobel, a versão alternativa do prestigioso Prêmio Nobel.
Já emblemáticos no mundo acadêmico, os “anti-Nobel”, concedidos pela revista científica humorística Annals of Improbable Research, reconhecem anualmente pesquisas científicas inusitadas.
Como manda a tradição, a cerimônia começou sob uma chuva de aviões de papel. Alguns dos pesquisadores compareceram fantasiados para receber um troféu em formato de pé coberto por fungos, entregue por autênticos vencedores do Nobel.
Pela primeira vez desde sua criação, em 1991, o evento foi realizado fora dos Estados Unidos, na cidade suíça de Zurique. Em março, os organizadores anunciaram a mudança, alegando que não poderiam levar cientistas aos EUA no atual clima político.
- Caminhar sobre cobras venenosas -
Entre os dez vencedores da premiação, o Ig Nobel de Biologia foi concedido à equipe do brasileiro João Miguel Alves-Nunes por uma pesquisa que o levou a pisar em serpentes para compreender em que momento elas decidem morder ou não.
“Quem seria estúpido o suficiente para colocar o pé na frente de uma serpente venenosa? Eu”, brincou o cientista da Universidade de São Paulo (USP) ao receber o prêmio.
Ele realizou 40 mil testes com 116 cobras. Durante os experimentos, uma cascavel conseguiu mordê-lo através das botas de proteção. Mesmo assim, o incidente não desanimou o jovem pesquisador de 28 anos, que pretende ampliar o estudo para outros países.
- Mictórios otimizados -
Vestidos com capas de chuva amarelas, quatro pesquisadores da China, dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e do Canadá receberam o Ig Nobel de Física por estudos voltados à otimização de mictórios.
Para isso, eles desenvolveram uma máquina de urinar equipada com um “bocal uretral anatomicamente preciso”, alimentado por água, explicou Kaveeshan Thurairajah, doutorando da Universidade de Waterloo, no Canadá.
“O projeto busca reduzir os respingos”, disse ele à AFP, acrescentando que “somente nos Estados Unidos, cerca de um milhão de litros por dia acabam derramados no chão a partir dos mictórios”, gerando custos significativos de limpeza e risco de contaminação bacteriana.
- Cuecas enterradas -
Os organizadores também homenagearam a cidade anfitriã ao conceder o Ig Nobel de Ciência do Solo a uma equipe da Universidade de Zurique.
Para avaliar a qualidade do solo, os pesquisadores enviaram pelo correio 2.000 cuecas a voluntários, pedindo que fossem enterradas em seus jardins e devolvidas dois meses depois para análise do grau de decomposição e mofo.
Já o Ig Nobel de Economia foi concedido a um grupo representado por Paul Piff, professor associado de psicologia da Universidade da Califórnia, por experimentos que demonstram que pessoas de ambientes privilegiados tendem mais a pegar doces de recipientes destinados explicitamente a crianças.
“Acho que isso deve nos fazer rir e, ao mesmo tempo, refletir”, declarou Esther Duflo, vencedora do Nobel de Economia de 2019, ao entregar o prêmio.
Ch.Kahalev--AMWN