-
Hakeem Jeffries promete responsabilização por corrupção ao assumir liderança da Câmara
-
Trump atribui derrota republicana à guerra no Irão e aceita resultado eleitoral
-
Ouro recupera e petróleo recua enquanto maioria democrata influencia mercados
-
Manifesto de quase 50 personalidades recoloca habitação no centro do debate
-
Lufthansa antecipa decisão mais rápida de Bruxelas sobre entrada na TAP
-
Pedro Duarte condena intervenção policial contra manifestantes no Porto
-
Uría Menéndez apoia Estado português na reprivatização da TAP
-
Ordem dos Advogados contesta limite horário e atuação policial em protestos
-
Caixa prevê prêmio superior a R$ 1 bilhão na Mega da Virada
-
Niterói testa pagamento por Pix em três linhas municipais de ônibus
-
Enel instalará 240 painéis solares nas instalações da Clin em Niterói
-
Futebolista espanhol morre após colisão com guarda-redes durante jogo
-
Rio de Janeiro reúne 3,3 mil vagas de emprego, estágio e aprendizagem
-
Senado aprova PEC da Segurança Pública sem baixar maioridade penal
-
Operação contra tráfico no Caniçal termina com três detidos
-
PRF detém homem com drogas escondidas no estepe de carro em Petrópolis
-
Confirmadas as empresas participantes e os palestrantes do Blue Magic Netherlands, de 17 de novembro
Mostra de San Sebastián homenageia Werner Herzog, o cineasta dos extremos
O Festival de Cinema de San Sebastián reconheceu com o Prêmio Donostia, nesta sexta-feira (18), a trajetória do diretor alemão Werner Herzog, cineasta dos extremos, que percorreu o planeta em busca de imagens inéditas e de uma "verdade profunda".
Ao lhe entregar sua máxima distinção honorária, o Festival prestou homenagem a suas mais de seis décadas de carreira, com mais de 70 filmes centrados em temas como a obsessão, as situações extremas e as contradições da natureza humana.
Figura de destaque do novo cinema alemão, juntamente com Volker Schlöndorff e Wim Wenders, seus filmes se caracterizam por personagens frequentemente sonhadores, que enfrentam desafios como a solidão e os desejos profundos.
Foi o caso do ativista ecologista Timothy Treadwell, morto no Alasca pelos ursos aos quais queria proteger, e cuja história Herzog contou em seu documentário "O Homem Urso" (2005).
Além disso, Hezog foi diretor de cena de óperas em Bayreuth (Alemanha) e no Scala de Milão, entre outros, e atuou em filmes como "Jack Reacher: O Último Tiro", e na série "The Mandalorian".
Seu ímpeto incansável o levou a filmar em locais tão remotos como a floresta peruana ("Aguirre, a Cólera dos Deuses", de 1972), vulcões ("La Soufrière", 1977), desertos australianos ("Onde Sonham as Formigas Verdes", 1984), o Himalaia ("Gasherbrum - A Montanha Luminosa", 1984), a Antártida ("Encontros no Fim do Mundo", indicado ao Oscar em 2007) e a selva de Angola ("Elefantes Fantasma", 2025).
O cineasta recebeu o prêmio Donostia das mãos do ator Orlando Bloon, que atua em seu último filme, "Bucking Fastard", que faz parte do programa desta 74ª edição do festival e que, segundo seu criador, foi escrito "em cinco dias".
Ao receber o prêmio, Herzog disse se sentir "orgulhoso" de ser contemplado no País Basco, "um país de poesia, um país de poetas".
"Eu recebo isto aqui dos poetas", afirmou, sendo ovacionado pelo público.
"Bucking Fastard" conta a história de duas pessoas que tentam conquistar seu lugar em uma sociedade que dá pouco espaço para quem é diferente: as irmãs Jean e Joan Holbrooke.
Interpretadas pelas irmãs Rooney e Kate Mara, elas vestem as mesmas roupas, se mexem de forma igual, falam em uníssono e inclusive se apaixonam pelo menos homem (Orlando Bloom).
O próprio Bloom admitiu, nesta sexta-feira, que trabalhar com Herzog foi "um grande presente" e destacou que seu filme "se sente como um poema", com personagens "que não devem ser julgados, que simplesmente vivem o mundo".
- De olho no futuro -
O excêntrico diretor de 84 anos, também premiado no ano passado na Mostra de Veneza com o Leão de Ouro por sua trajetória, assegurou, nesta sexta-feira, que não quer "olhar para trás".
"Estou muito centrado no que tenho que fazer agora", afirmou durante uma coletiva de imprensa, ao mesmo tempo em que negou ser "viciado em trabalho" e tampouco "obsessivo".
"Se você tem um diretor obsessivo fazendo filmes, todos os atores vão sair correndo, os produtores vão sair correndo, o dinheiro vai sair correndo e você mesmo terá que fugir de si próprio, se for obsessivo. Eu não sou", assegurou.
Kristina Jaspers, comissária na cinemateca alemã Deutsche Kinemathek, disse à AFP que "estes prêmios honram uma obra que está longe de estar concluída".
"Herzog continua extremamente atraente e até suas produções mais recentes seguem refletindo sua extraordinária curiosidade e seu desejo de explorar novos temas e novas formas", acrescentou Jaspers, que destacou o "orgulho" que significa para a Deutsche Kinemathek abrigar a coleção do cineasta.
Frequentemente, suas histórias de focam nos marginalizados, como "O Enigma de Kaspar Hauser", no qual retratou um analfabeto que apenas sabia falar a quem conheceu em Nuremberg e que lhe rendeu o Grande Prêmio de Cannes em 1975.
- Em busca de uma "verdade profunda" -
Em seus filmes, Werner Herzog cria imagens para chegar a uma verdade mais profunda, às vezes tomando liberdades em relação aos fatos, o que foi chamado de "verdade extática".
"Este conceito de 'verdade extática' significa mostrar algo que é invisível. E [...] algo puro, emoções profundas ou algo metafísico" para "tornar visível algo que não é visível, pondo as coisas em cena", explicou Kristina Jaspers.
O próprio Herzog faz alusão a este método em seu documentário "Nômade: Seguindo os Passos de Bruce Chatwin", no qual acompanha os passos do escritor britânico.
"Bruce modificava fatos, mas de uma forma que fazia com que se parecessem mais com a realidade", comentou Herzog, comparando o trabalho de Chatwin ao seu.
O diretor se tornou uma inspiração para muitos jovens cineastas, segundo a Deutsche Kinemathek, que enfatiza que Herzog "não é um monólito", mas "um defensor ativo de uma nova geração de artistas e diretores".
A.Mahlangu--AMWN