-
Trump se reúne com aliados do G7 após anúncio de acordo com o Irã
-
EUA e Irã anunciam acordo para o fim da guerra no Oriente Médio
-
Filho da princesa herdeira da Noruega condenado a 4 anos de prisão por estupro
-
Ataque russo mata 11 na Ucrânia e provoca incêndio em catedral de Kiev
-
Taty Almeida, símbolo das Mães da Praça de Maio, morre aos 95 anos
-
Suécia goleia Tunísia na estreia (5-1) e lidera grupo F da Copa de 2026
-
Bellingham pode ser o "fator X" da Inglaterra na Copa do Mundo, avisa Henderson
-
Enfrentar a Espanha na estreia da Copa "é um sonho", diz técnico de Cabo Verde
-
Costa do Marfim vence Equador no fim (1-0) em sua estreia na Copa do Mundo
-
Bélgica da era pós-Hazard estreia na Copa de 2026 contra o Egito de Salah
-
Japão arranca empate com Países Baixos (2-2) na abertura do Grupo F da Copa do Mundo
-
Panamá nega que será 'saco de pancadas' de seus rivais na Copa, como apontou Ibrahimovic
-
EUA e Irã anunciam acordo e fim "permanente" das operações militares
-
Uruguai estreia na Copa contra Arábia Saudita em meio a incertezas e desfalques importantes
-
Deschamps prepara França sem surpresas para estreia na Copa contra Senegal
-
Nagelsmann destaca paciência e intensidade da Alemanha na goleada sobre Curaçao
-
Messi chega à sua histórica sexta Copa do Mundo 'empolgado como sempre'
-
Fortes distúrbios em Genebra contra cúpula do G7 na França
-
'Não é uma vergonha', diz técnico de Curaçao após derrota por 7 a 1 para Alemanha
-
Cantor americano e youtuber argentino entre mortos em colisão de helicópteros no Rio
-
Fortes distúrbios em protesto em Genebra contra cúpula do G7 na França
-
Alemanha atropela Curaçao (7-1) na estreia na Copa do Mundo
-
Alívio na Suíça após rejeição de limite à imigração
-
Trump condena ataque israelense contra Beirute e garante que acordo segue próximo
-
Dembélé busca repetir na seleção francesa o bom rendimento no PSG
-
Seis mortos após colisão de helicópteros no Rio de Janeiro
-
Azarão do Grupo H, Cabo Verde quer fazer história em sua 1ª Copa do Mundo
-
Marrocos e outras federações africanas criticam Uefa por 'falta de reconhecimento'
-
Vekic derruba Raducanu e é campeã do WTA 500 de Queen's
-
Majchrzak surpreende De Minaur e é campeão do ATP 250 de 's-Hertogenbosch
-
Ben Shelton é campeão do ATP 250 de Stuttgart e conquista seu 1º título na grama
-
Hamilton conquista 1ª vitória pela Ferrari no GP de Barcelona-Catalunha de F1
-
Irã chega aos EUA para Copa do Mundo em meio à tensão geopolítica
-
Espanha de Yamal inicia busca pelo título mundial contra estreante Cabo Verde
-
Brasil de Ancelotti confirma receios nos EUA
-
Três mortos em bombardeios israelenses no sul de Beirute
-
Ofensiva russa perde força apesar dos bombardeios contra a Ucrânia
-
Após estreia discreta do Brasil, Alemanha entra em campo na Copa do Mundo
-
Suíça rejeita teto migratório, segundo primeiras estimativas
-
Fifa é responsável pelo respeito à bandeira do Irã, diz presidente da Federação Iraniana
-
Austrália derrota a Turquia por 2-0 pelo Grupo D
-
Curaçao espera "complicar a vida" da Alemanha na estreia na Copa do Mundo
-
Jalen Brunson (Knicks) é eleito MVP das Finais da NBA
-
New York Knicks vence Spurs na final e conquista seu 1º título da NBA após 53 anos
-
Escócia sofre mas vence Haiti (1-0) e lidera Grupo C, do Brasil
-
Neuer será titular no gol da Alemanha contra Curaçao, diz técnico Julian Nagelsmann
-
Com estreia do Brasil, Copa do Mundo invade Nova York enlouquecida pelos Knicks
-
"Não se ganha a Copa do Mundo no primeiro jogo", diz Ancelotti
-
Com Memphis, seleção holandesa estreia na Copa contra Japão sem capitão
-
'Não tem muito o que falar, é trabalhar', diz Vini Jr. após empate do Brasil com Marrocos
Como o socialista venceu NY
Quando a contagem de votos da eleição municipal de Nova York foi concluída em novembro de 2025, um nome até então pouco conhecido fora da cidade tornou‑se símbolo de mudança. O socialista Zohran Mamdani, então deputado estadual de 34 anos, derrotou o ex‑governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa para tornar‑se o 111.º prefeito de Nova York. A vitória foi ainda mais significativa porque a campanha de Mamdani se apresentava como abertamente socialista e comprometida em congelar aluguéis, construir moradias acessíveis, garantir transporte e creches gratuitos e taxar os mais ricos. Ao final da eleição, ele havia conquistado a maioria dos mais de dois milhões de votos registrados, participação que não se via na cidade desde a década de 1960.
A mensagem da acessibilidade
Desde o início, Mamdani articulou sua campanha em torno de um conceito simples: tornar Nova York novamente acessível. A cidade enfrentava aluguel exorbitante, custo de vida crescente e a suspensão de benefícios alimentares devido ao impasse no orçamento federal. Em discursos e vídeos, o candidato prometia congelar os aluguéis de apartamentos estabilizados e construir mais moradias a preços populares. Defendia ainda que os ônibus fossem gratuitos e mais rápidos, que creches passassem a ser financiadas pelo município e que fossem criadas mercearias públicas para reduzir o preço dos alimentos. Para financiar esse programa, propunha aumentar impostos sobre grandes fortunas e corporações.
Essa agenda encontrou eco especial entre trabalhadores imigrantes, jovens endividados e moradores das periferias. Em comícios intitulados “Uma cidade que possamos pagar”, ele criticava “a mentira de que apenas os ricos ou sortudos podem viver bem em Nova York”. O slogan “acessibilidade” tornou‑se uma palavra de ordem repetida nas ruas, em panfletos e nas redes sociais, servindo como ponto de convergência para interesses diversos.
Uma operação de base sem precedentes
Além da mensagem, o sucesso de Mamdani dependeu de uma mobilização voluntária de escala inédita. A campanha formou um exército estimado em mais de 100 mil voluntários. Em bairros como Bushwick, no Brooklyn, e Co‑op City, no Bronx, esses voluntários batiam de porta em porta para conversar com vizinhos sobre suas necessidades. A estratégia era baseada em respeito: quem participava era incentivado a compartilhar experiências pessoais em vez de discursos ensaiados. Muitos desses voluntários, a maioria jovens e sem experiência política, receberam rapidamente funções de liderança, ajudando a definir a própria estratégia.
O modelo contrapunha campanhas tradicionais centralizadas e avessas a riscos. A equipe de Mamdani permitiu que os apoiadores propusessem ideias e testassem abordagens inovadoras. Para manter o engajamento, ele reconhecia publicamente o esforço dos voluntários, fornecia acesso privilegiado a eventos e criava um sentimento de pertencimento que ultrapassava as linhas de raça, religião e renda. Ao mesmo tempo, a campanha investiu em formação política, incentivando diálogos profundos, inclusive com eleitores que votaram em Donald Trump na eleição presidencial anterior.
Comunicação direta e cultura pop
Enquanto os adversários apostavam em anúncios tradicionais financiados por empresários, Mamdani tornou‑se onipresente nas redes. Inspirado pela ideia de uma “política sem tradução”, ele gravava vídeos curtos explicando suas propostas em linguagem acessível e transmitia‑os diretamente aos moradores. Em um deles, mergulhou nas águas geladas de Coney Island, vestido de terno, para ilustrar sua promessa de congelar os aluguéis. Em outro, caminhou toda a ilha de Manhattan, simbolizando a importância de líderes que conhecem cada bairro. Ele chegou a parodiar programas de TV populares, como uma versão do programa “The Bachelor” em que entregava rosas a eleitores, e promoveu uma caça ao tesouro em Coney Island e um torneio de futebol de bairro contra bairro.
Essa presença online criativa se complementava com aparições físicas constantes. Antes da eleição, Mamdani podia ser visto tanto servindo comida a trabalhadores noturnos no aeroporto LaGuardia quanto dançando ao som de música caribenha em uma boate do Brooklyn. A ubiquidade reforçava a imagem de um prefeito que conhece a cidade inteira e sabe celebrar sua diversidade.
Construção de coalizões e resposta a ataques
Ser um socialista muçulmano e sul‑asiático em uma cidade que já foi o epicentro do medo pós‑11 de setembro significava enfrentar ataques racistas, islamofóbicos e acusações de antissemitismo. Em junho, ao criticar o primeiro‑ministro indiano Narendra Modi, Mamdani foi acusado de ser anti‑hindu; ao apoiar a causa palestina, foi rotulado de antissemita. Para responder, ele procurou líderes judaicos e hindus, compareceu a templos e sinagogas e recebeu apoio de grupos comunitários. Ao mesmo tempo, manteve firme sua defesa dos direitos palestinos, afirmando que qualquer estado deve garantir igualdade de direitos aos seus habitantes.
Outra vulnerabilidade era sua posição anterior de reduzir o orçamento policial. Diante de uma eleição polarizada por questões de segurança, Mamdani atenuou o discurso, pediu desculpas por ter chamado o Departamento de Polícia de Nova York de racista e anti‑queer e apoiou a nomeação de uma comissária de polícia vista como competente. Ele prometeu criar um Departamento de Segurança Comunitária para lidar com saúde mental e pessoas sem moradia, transferindo parte das funções hoje exercidas pela polícia. A moderação do discurso e o diálogo com associações policiais desarmaram muitos ataques e ampliaram seu alcance eleitoral.
Mesmo com essa abertura, Mamdani manteve princípios socialistas e criticou a influência dos bilionários na política. Seu adversário mais forte, Cuomo, foi apoiado por super PACs que gastaram dezenas de milhões de dólares em anúncios negativos. Enquanto isso, a campanha de Mamdani, financiada pelo sistema de financiamento público da cidade, contava com pequenas doações e o trabalho voluntário. Essa combinação de princípio e pragmatismo permitiu construir uma ampla frente que incluía progressistas, sindicatos, empresários curiosos e até conservadores desencantados.
Significado e desafios futuros
O triunfo de Mamdani demonstra que uma candidatura abertamente socialista pode construir maioria em uma metrópole multinacional. Ele mobilizou novos eleitores, registrou participação recorde e reposicionou o debate político em torno de justiça social, salário digno e serviços públicos universais. Analistas apontam que a vitória cria um modelo para a esquerda nos Estados Unidos e na Europa e já inspira políticos progressistas em vários países.
Ao mesmo tempo, o novo prefeito enfrenta enormes desafios. Ele terá de transformar promessas ambiciosas em políticas concretas em uma cidade com desigualdades profundas, sistema fiscal limitado e expectativa de confrontos com o governo federal e interesses poderosos. A permanência de problemas como violência, crise habitacional e a necessidade de recursos estaduais testará sua habilidade de governar sem perder o apoio de uma coalizão diversa. Como ressaltou ao final da campanha, “ser correto não basta; precisamos vencer”. Agora, com a vitória consolidada, a prova de fogo de Zohran Mamdani será transformar um movimento de base em uma administração capaz de materializar a cidade que prometeu.