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De volta a Belém, Lula busca impulsionar um acordo na COP30
De volta a Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva multiplica os contatos na COP30, nesta quarta-feira (19), para incentivar os negociadores da conferência climática da ONU, que aguardam uma nova proposta de acordo da presidência do evento.
O Brasil quer que a primeira COP realizada na Amazônia seja um sucesso e seus diplomatas fazem os negociadores trabalharem noite e dia com a esperança de fechar um compromisso ambicioso frente à emergência climática.
É incomum que chefes de Estado, após terem inaugurado a COP, retornem na reta final da conferência. Mas Lula o fez nesta quarta-feira, a dois dias do encerramento do evento.
O presidente teve várias reuniões, inclusive com representantes da União Europeia e de alguns países emergentes, e tinha previsto se encontrar com coletivos indígenas e da sociedade civil.
A presidência brasileira da conferência publicou um esboço principal, que abrange as principais aspirações políticas da COP30. Após coletar as impressões de representantes dos quase 200 países, voltou a se recolher ao longo do dia desta quarta-feira para trabalhar em um novo texto, segundo diversas fontes consultadas pela AFP.
Nas conferências climáticas da ONU, as decisões devem ser adotadas por consenso.
Os principais pontos de discórdia são como financiar a adaptação às mudanças climáticas, um mapa do caminho com datas e pautas para abandonar os combustíveis fósseis e uma possível menção às medidas comerciais unilaterais, um tema que incomoda particularmente a União Europeia.
"Não vai haver uma decisão hoje. Ainda estamos longe de consegui-lo porque para nós é um pacote global", disse à AFP a ministra francesa de Transição Ecológica, Monique Barbut, ao sair de uma reunião de coordenação com seus homólogos europeus.
A estratégia brasileira é aprovar primeiro um texto mais político e complexo, batizado de "Mutirão mundial", para depois votar o restante das medidas na sexta-feira.
- Abandonar os combustíveis fósseis -
A iniciativa, apoiada por mais de 80 países até o momento, foi lançada por Lula durante a cúpula de chefes de Estado prévia à COP, e pretende dar continuidade à promessa da comunidade internacional na COP28 de Dubai de abandonar progressivamente o petróleo, o gás e o carvão.
Entre estes países estão a maioria da UE, assim como Colômbia e Quênia, que se opõem às nações produtoras de petróleo, como a Arábia Saudita, silenciosas em Belém.
Outro ponto controverso é a medida ambiental europeia conhecida como "imposto sobre o carbono", que uma maioria de países considera uma barreira comercial unilateral.
O argumento dos europeus é que permitir a entrada de produtos que não atendem aos padrões ambientais da UE representa uma concorrência desleal.
"Deve haver uma menção porque [essas medidas] se tornam um obstáculo ao invés de algo possibilitador", declarou à AFP a ministra mexicana do Meio Ambiente, Alicia Bárcena.
Diante da sentida ausência dos Estados Unidos, as discussões giram, majoritariamente, em torno dos países emergentes, da China e dos europeus.
A UE não está disposta a abrir novamente a árdua discussão sobre o financiamento da luta climática.
"Mais que reabrir, temos que repensar todo esse montante global de 1,3 trilhão [de dólares]. Como conseguimos que não só a parte pública seja a protagonista, mas como alavancamos tanto o financiamento privado quanto os diferentes bancos multilaterais", explicou a jornalistas a ministra espanhola de Transição Ecológica, Sara Aagesen.
A.Jones--AMWN