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Departamento de Justiça dos EUA publica mais de 3 milhões de páginas do caso Epstein
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou a publicar nesta sexta-feira (30) mais de três milhões de páginas de arquivos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, junto com fotos e vídeos, anunciou o vice-procurador-geral Todd Blanche.
Blanche afirmou que a Casa Branca não teve nenhum papel na revisão do extenso acervo governamental relacionado a Epstein, financista americano que morreu em uma prisão de Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
"Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar", disse Blanche em uma coletiva de imprensa.
Alguns dos documentos contêm "alegações sensacionalistas e falsas" sobre o presidente Donald Trump, apresentadas ao FBI (polícia federal) antes das eleições presidenciais de 2020, acrescentou.
Blanche disse mais cedo que todas as imagens de mulheres foram censuradas, com exceção das de Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein.
Publicações anteriores lançaram luz sobre os vínculos de Epstein com executivos de destaque, celebridades, acadêmicos e políticos, incluindo o presidente Trump e o ex-presidente Bill Clinton.
Blanche, que antes foi advogado pessoal do próprio Trump, descartou sugestões de que material potencialmente constrangedor sobre o presidente teria sido censurado dos mais de três milhões de documentos, 180 mil imagens e 2.000 vídeos publicados.
"Não protegemos o presidente Trump", afirmou. "Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém."
"Não censuramos imagens de nenhum homem, a menos que fosse impossível censurar a mulher sem que o homem também fosse censurado", explicou o vice-procurador.
Talvez os documentos mais significativos divulgados até agora sejam dois e-mails do FBI, de julho de 2019, que mencionam dez "co-conspiradores" de Epstein.
Apenas uma pessoa - a ex-namorada de Epstein, Maxwell - foi acusada em relação a seus crimes, e os nomes dos supostos "co-conspiradores" aparecem tarjados nos e-mails.
Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar menores para Epstein, cuja morte foi declarada suicídio.
Trump, antigo amigo próximo de Epstein, e Clinton aparecem de forma destacada nos arquivos publicados até o momento, mas não foram acusados de nenhum crime.
Um comitê da Câmara de Representantes liderado por republicanos votou pela abertura de um processo por desacato ao Congresso contra Bill e Hillary Clinton, por se recusarem a depor na investigação sobre Epstein.
Trump, de 79 anos, lutou durante meses para impedir a divulgação do volumoso conjunto de documentos sobre Epstein.
Uma rebelião dentro de seu Partido Republicano, no entanto, o obrigou a sancionar uma lei que determina a publicação de todos os registros.
A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (EFTA, na sigla em inglês) estabelecia que todos os documentos sob posse do Departamento de Justiça deveriam ser divulgados até 19 de dezembro.
A.Malone--AMWN