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Irã chega aos EUA para Copa do Mundo em meio à tensão geopolítica
A seleção do Irã é aguardada neste domingo (14) em Los Angeles, na véspera de sua estreia na Copa do Mundo de 2026, contra a Nova Zelândia, em um jogo marcado pelo contexto geopolítico e pela guerra no Oriente Médio.
Desde que Estados Unidos e Israel lançaram seus ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, surgiu a dúvida se a seleção do país persa viajaria ao território de seu inimigo.
Os Estados Unidos se recusaram a conceder vistos a cerca de 15 integrantes da delegação, dirigentes e outros responsáveis, e o Irã decidiu mudar seu campo-base durante o torneio, optando por Tijuana, no México, em vez de sua primeira opção, Tucson, no Arizona (EUA).
Mas, para a primeira partida, a entrada dos iranianos no país é inevitável e, neste domingo, seu desembarque é esperado antes de uma coletiva de imprensa às 15h45 locais (19h45 em Brasília) no SoFi Stadium.
Começar esta Copa do Mundo em "Tehrangeles" — um dos apelidos de Los Angeles, devido à importância da comunidade iraniana — poderia parecer uma vantagem, mas parte da diáspora considera esta seleção um instrumento de propaganda da República Islâmica.
A megalópole californiana foi palco de grandes manifestações no início deste ano para denunciar a repressão a um movimento popular no Irã que deixou milhares de mortos.
- Tensão -
Novos protestos foram convocados para segunda-feira em Inglewood, nos arredores do SoFi Stadium, onde agitarão a bandeira do Irã de antes da Revolução Islâmica, o estandarte verde, branco e vermelho que também exibe um leão e um sol.
As manifestações da diáspora podem chegar, ainda, ao interior do estádio na forma de vaias ao hino, como ocorreu no Catar em 2022, o que levanta questionamentos sobre a partida.
O ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, advertiu que serão vigiados de forma especial "bandeiras e cânticos", ameaçando interromper o jogo caso sejam detectados símbolos hostis à República Islâmica.
No sábado, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, recordou que a Fifa deve assegurar que apenas a bandeira iraniana em sua versão atual seja visível nos estádios.
O regulamento da entidade proíbe qualquer adereço de "natureza política" nos locais das partidas. Mas a aplicação dessa regra tem sido variável em edições anteriores.
Todos estes fatores tornam a partida em Los Angeles um dos confrontos mais aguardados da primeira fase do torneio.
O Irã deve disputar seus três jogos do Grupo G em solo americano: o segundo também será em Los Angeles, em 21 de junho, contra a Bélgica, e o terceiro, em Seattle, contra o Egito.
- "Mensagem de paz" -
Em teoria, o Irã teria chances de passar da fase de grupos de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história, após ter caído em uma chave aparentemente acessível e em um torneio ampliado para 48 seleções, em que até os oito melhores terceiros colocados avançarão à fase de 16-avos de final.
A seleção iraniana está em 20º no ranking da Fifa e é favorita na estreia contra a Nova Zelândia, país que ocupa o 85º lugar e que nunca venceu uma partida no torneio.
Outro fator para o otimismo iraniano é a presença do atacante Mehdi Taremi, que já marcou dois gols na última edição.
"É a minha terceira Copa do Mundo. Sempre disse que, quando se coloca o pé no país anfitrião, você precisa sentir uma atmosfera calorosa e acolhedora. Pode ser apenas uma impressão, mas não sinto isso agora. É evidente que há uma tensão significativa, mas eu gostaria que esporte e política estivessem separados", disse o jogador de 33 anos do Olympiakos, que confia em passar "uma mensagem de paz" dentro de campo.
A.Mahlangu--AMWN