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Secretário-geral da ONU pede perdão a vítimas de grupos armados no Haiti
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu desculpas às mulheres deslocadas pela violência dos grupos criminosos no Haiti, e lamentou nesta terça-feira (16) não ter conseguido mobilizar o mundo para aliviar o sofrimento delas.
Em uma escola de Porto Príncipe que abriga mais de 1.250 pessoas deslocadas, Guterres sentou-se com algumas mulheres, que lhe descreveram sua rotina há quase dois anos no local, batizado de "Colombie".
"Cheguei com meus quatro filhos em 13 de novembro de 2024. Perdi tudo", contou uma delas, sob o calor sufocante da sala. Os outros espaços são ainda piores: "Cinquenta pessoas por sala, dez famílias, nenhuma privacidade", relatou.
"Peço perdão por não ter sido capaz de mobilizar a comunidade internacional", disse às mulheres o chefe da ONU, lamentando que menos de um quarto do plano de ajuda humanitária das Nações Unidas para 2026 esteja financiado.
Essas mulheres estão entre cerca de 1,5 milhão de pessoas deslocadas atualmente devido à violência dos grupos criminosos, segundo a ONU. Aproximadamente metade da população, de cerca de 11 milhões de habitantes, enfrenta uma insegurança alimentar grave.
"Minha mensagem para a comunidade internacional: parem de olhar para o outro lado. Temos que estar do lado do Haiti", disse Guterres. Ao desembarcar do helicóptero que o trouxe de Santo Domingo, ele expressou solidariedade à população, diante do primeiro-ministro haitiano, Alix Fils-Aimé.
O secretário-geral percorreu a capital em um veículo blindado e visitou também o campo Vertières, que abriga os primeiros contingentes da Força de Supressão de Gangues (GSF).
O Conselho de Segurança da ONU decidiu em setembro substituir a criticada e mal equipada Missão Multinacional de Apoio à Segurança, dirigida pelo Quênia, pela GSF, mais robusta, mas que não é uma missão de manutenção da paz da ONU.
Operações das forças de ordem - que envolvem a polícia haitiana, associada a ataques com drones realizados por empresas privadas estrangeiras - e ações dos grupos de autodefesa conseguiram conter recentemente a expansão das gangues, que controlam 90% da capital, segundo o último relatório de especialistas nomeados pelo Conselho de Segurança, divulgado em abril.
D.Cunningha--AMWN