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Urnas fechadas em eleição legislativa decisiva para premiê do Reino Unido
As seções eleitorais fecharam nesta quinta-feira (18) em uma histórica eleição suplementar no Reino Unido que pode determinar o futuro do primeiro-ministro Keir Starmer, enquanto seu rival trabalhista, Andy Burnham, tenta assumir a liderança do partido.
Burnham, prefeito da Grande Manchester e veterano do Partido Trabalhista nos governos de centro-esquerda, busca vencer a disputa pelo distrito eleitoral de Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
Para integrar a Câmara dos Comuns, o prefeito de 56 anos, ex-ministro da Saúde, candidatou-se a esta eleição legislativa suplementar em Makerfield, um distrito eleitoral próximo a Manchester.
Burnham é considerado a figura política mais popular do país, após exercer o cargo de prefeito da Grande Manchester desde 2017. Ele é visto como um possível sucessor de Keir Starmer, que conduziu o Partido Trabalhista ao poder com uma vitória esmagadora nas eleições de julho de 2024, mas cuja popularidade caiu devido a erros políticos e diversas controvérsias.
A apuração estava prevista para começar pouco depois do fechamento das seções eleitorais, às 21h00 GMT (18h00 de Brasília), cerca de 15 horas após sua abertura.
Os resultados dessa eleição deverão ser conhecidos nas primeiras horas da sexta-feira.
"A política não está funcionando para lugares como o nosso", disse Burnham, natural da região, em uma de suas últimas publicações de campanha nas redes sociais. "Vou mudar isso."
- Disputa com o Reform UK -
A disputa promete ser difícil para Burnham diante do candidato do partido anti-imigração Reform UK, o encanador Rob Kenyon.
Os eleitores desse distrito, tradicionalmente um reduto seguro dos trabalhistas, deram amplo apoio ao Reform UK nas eleições locais de maio.
Apesar desse resultado, pesquisas recentes colocam Burnham à frente das intenções de voto, seguido por Kenyon.
Kamran Shirpor, taxista de 49 anos, afirmou à AFP que Burnham é "uma pessoa muito popular por aqui".
"Ele tenta ajudar as pessoas. Gosto dele e acho que seria um bom primeiro-ministro", acrescentou.
Já Frank Hesketh, aposentado de 72 anos, disse à AFP ao deixar uma seção eleitoral que Burnham estaria usando a população local como trampolim para sua ambição de chegar ao cargo de primeiro-ministro.
"É mais um degrau na carreira dele. Não vamos vê-lo novamente por aqui", afirmou.
Para desafiar o líder trabalhista, um candidato precisa do apoio de pelo menos 20% dos deputados do partido.
Com maioria absoluta na Câmara dos Comuns, os trabalhistas têm 403 parlamentares, o que significa que um postulante à liderança precisa do respaldo de 81 deles.
Desde que chegou ao poder, a popularidade de Starmer, de 63 anos, vem caindo em meio à estagnação econômica e ao aumento do custo de vida.
A isso se somou a polêmica nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O governo trabalhista, que em 2024 encerrou 14 anos de administrações conservadoras, sofreu um duro revés nas eleições municipais de maio e viu vários ministros deixarem seus cargos.
Makerfield, com cerca de 76 mil eleitores, reúne um conjunto de pequenas cidades historicamente ligadas à mineração.
- Proposta de Starmer -
O deputado trabalhista que representava Makerfield renunciou ao cargo para permitir a candidatura de Burnham. Ele havia sido eleito com 52,5% dos votos em 2024.
Na quarta-feira (17), Starmer tentou conter uma possível disputa por sua liderança e sugeriu que poderia convidar Burnham para integrar sua equipe ministerial caso ele seja eleito deputado.
"Andy é um grande trunfo. E sim, quero que ele tenha um papel importante no governo", declarou o primeiro-ministro.
Starmer insistiu que pretende permanecer no cargo apesar dos resultados desfavoráveis nas pesquisas.
"Se houver um desafio, pretendo lutar", afirmou.
Outro nome apontado como possível sucessor de Starmer é o ex-ministro da Saúde Wes Streeting, que renunciou em maio.
Streeting, representante da ala mais conservadora do Partido Trabalhista, deixou o cargo uma semana depois de a legenda perder cerca de 1.500 vereadores nas eleições municipais, marcadas pelo forte avanço do Reform UK.
P.Costa--AMWN