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Presidente da Venezuela declara estado de emergência após terremotos
Dois terremotos sacudiram a Venezuela nesta quarta-feira (24) e causaram o desabamento de prédios e pânico em Caracas e outras regiões.
Os sismos, que foram sentidos na vizinha Colômbia, ocorreram com aproximadamente um minuto de diferença, em locais separados por cerca de 45 km e a profundidades diferentes, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
"O sismo principal, de magnitude 7,5, foi precedido em 39 segundos por um sismo precursor, de magnitude 7,2", informou no X o USGS. O primeiro tremor teve seu epicentro 21 km a oeste de Morón, ocorreu às 22h04 GMT (19h04 de Brasília) e foi seguido de várias réplicas, incluindo o de magnitude 7,5.
Vinte réplicas foram registradas após os dois terremotos, informou a presidente interina, Delcy Rodríguez, após declarar estado de emergência no país. "É um fato de consequências graves. Há estados particularmente afetados", indicou.
O principal aeroporto da Venezuela, localizado a 39 km de Caracas, foi fechado, após sofrer "danos graves em sua infraestrutura", disse Delcy, em pronunciamento transmitido pelos veículos oficiais.
Uma jornalista da AFP observou um imóvel de 22 andares totalmente destruído na região de Chacao, leste da cidade. Pessoas gritavam o nome de familiares, e voluntários subiam nos escombros. "Precisamos de lanternas", pedia um deles, no começo da noite.
Segundo o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, vários imóveis desmoronaram. "Temos alguns feridos, prédios derrubados", descreveu.
Em um centro comercial movimentado de Altamira, o chão começou a tremer, prateleiras de lojas caíram e pessoas saíram correndo em massa em direção à rua. "Foi inacreditável, não sei nem quanto tempo durou. Estava no último andar. Caíram muitas coisas. Saímos pelas escadas de emergência, nos tiraram por ali", contou à AFP Heidi Romero, uma comerciante de 42 anos.
"As escadas se desprenderam, toda a parede rachou. Caíram coisas do teto. Foi horrível", disse Odalis Escalona, de 54 anos, funcionária de um banco.
Várias áreas ficaram sem energia elétrica e muitas ruas estavam cheias de vidros que caíram de janelas. Pessoas que abandonaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora para voltar.
- Colômbia e Japão -
O terremoto foi sentido mais fortemente também nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo Cabello, que ordenou um corte no fornecimento de gás a prédios de Caracas. "Temos algumas estruturas danificadas e não queremos que ocorra nenhum tipo de acidente com gás", explicou.
"NÃO há tsunami, NÃO há perigo com o terremoto recente" perto da costa da Venezuela, informou no X o sistema de alerta de tsunamis dos Estados Unidos, que emite prognósticos meteorológicos oficiais.
A administradora Carmen Guédez, 69, estava no quarto de uma irmã acamada, em um bairro de classe média de Caracas, quando começou a sentir o tremor. "Ele foi aumentando de intensidade", contou à AFP. "Comecei a ver as janelas se mexendo, depois tudo sacudiu. Minha irmã, uma vizinha e eu ficamos rezando, abraçadinhas. Não podíamos sair. Os vizinhos ainda estão na rua."
Os terremotos são frequentes na Venezuela. Os sismos mais fortes registrados recentemente foram os de Cariaco (nordeste), em 1997, e o de Caracas, em 1967.
O primeiro sismo desta quarta-feira também foi sentido em Bogotá, capital da Colômbia, onde luminárias balançaram, alarmes dispararam e alguns moradores deixaram os prédios por precaução, segundo jornalistas da AFP.
Em um primeiro momento, a entidade de gestão de riscos da Colômbia (UNGRD) informou que não havia registros de emergência e descartou um alerta de tsunami.
Logo após o tremor na Venezuela, um terremoto de magnitude 6,9 sacudiu o norte do Japão, sem deixar vítimas, informou a agência meteorológica daquele país.
T.Ward--AMWN