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Número de mortos em terremotos na Venezuela passa de 200; EUA anuncia ajuda
Pelo menos 235 pessoas morreram nos dois terremotos que atingiram a Venezuela ontem, segundo um novo balanço divulgado pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado.
"Infelizmente, recebemos 235 pacientes que chegaram sem sinais vitais ou que morreram em nossos estabelecimentos de saúde", disse Alvarado nesta quinta-feira à TV estatal.
O Exército dos Estados Unidos anunciou o envio de dois navios de guerra, além de aviões de transporte e helicópteros, para ajudar a Venezuela após os terremotos.
"Essas forças vão oferecer serviços especializados de mobilidade e apoio ao pessoal do governo americano" na Venezuela, informou o Comando Sul no X. Também vão entregar ajuda para atender a emergência, que deixou pouco mais de 1.500 feridos e uma centena de desaparecidos.
Venezuelanos escavavam hoje escombros de edifícios que desabaram, em uma tentativa de resgatar familiares. Pessoas correram em pânico após os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram na véspera o norte do país com menos de um minuto de intervalo.
A região mais castigada foi La Guaira, cidade costeira vizinha de Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, que permanece interditado devido ao terremoto. "Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou", disse à AFP Yilsmaris Blanco, diante de um prédio rachado. "É algo que não desejo a ninguém."
Os trabalhos de resgate avançavam lentamente, e ainda havia corpos visíveis sob os escombros. Moradores ouviram durante horas três pessoas soterradas. Suas famílias tentavam retirá-las, mas era impossível mover as placas de concreto com as ferramentas improvisadas que possuíam.
Em outra área, moradores relataram que ouviram uma menina presa sob os escombros chorar por horas. Ela morreu pouco depois.
A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou nesta quinta-feira La Guaira, onde a AFP constatou a ocorrência de saques, e declarou a região como "zona de desastre".
- Desaparecidos -
Nas redes sociais, multiplicaram-se os pedidos de informações sobre desaparecidos, muitos deles em La Guaira. Pessoas consultavam listas divulgadas pelos hospitais públicos com os nomes dos feridos.
"Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la", declarou em La Guaira Jean Alexander Capote, 48 anos, diante de um edifício de mais de 15 andares que perdeu várias paredes durante os tremores. Perto dali, homens e mulheres saíam de um estabelecimento comercial saqueado carregando sacolas cheias de produtos.
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 locais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900. A força desses terremotos foi sentida em outros estados e até mesmo na Colômbia.
A Venezuela é um país de atividade sísmica, embora um grande terremoto não fosse registrado desde 1997. Naquele ano, o terremoto ocorreu em Cariaco, cidade costeira no nordeste do país, e deixou 73 mortos. O último grande terremoto em Caracas havia ocorrido em 1967, com 236 óbitos.
- Equipes a caminho -
O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira "zona de desastre". A presidente afirmou que havia conversado com o coordenador da ONU no país e que "equipes especializadas de resgate" estavam a caminho para apoiar as buscas por sobreviventes.
Os Estados Unidos também ofereceram 150 milhões de dólares (R$ 778 milhões), dos quais 100 milhões serão destinados a um fundo humanitário da ONU para a Venezuela e o restante a organizações não governamentais que atuam no país.
A maior parte dos países da América Latina também manifestou solidariedade e ofereceu ajuda. Chile e México, países com reconhecida experiência no enfrentamento de terremotos, anunciaram o envio de equipes de resgate.
Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, China, Índia e a União Europeia também ofereceram assistência.
- Pânico em Caracas -
Cenas de destruição e pânico se repetiram em Caracas. No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou.
Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta. Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.
Rita Gómez, 60 anos, viajou durante toda a noite de Maracaibo até Caracas, após ver nas redes sociais imagens do prédio onde sua filha morava completamente destruído. "Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida", disse.
A população permaneceu nas ruas à espera de possíveis novas réplicas, diante dos edifícios destruídos ou em abrigos improvisados com barracas montadas em parques e vias públicas.
Em um muro, destacava-se a fotografia de um menino de 6 anos. Ao lado dela, lia-se: "Desaparecido no terremoto", juntamente com seu nome e um telefone para contato. Última localização conhecida: La Guaira.
O.M.Souza--AMWN