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Bombardeios jordanianos deixam seis mortos na Síria após ataque a igreja
As autoridades sírias informaram que pelo menos seis pessoas, entre elas três crianças, morreram em bombardeios realizados na segunda-feira (26) no sul do país, depois que a Jordânia afirmou ter atacado “organizações terroristas” em resposta a um atentado jihadista letal contra uma igreja ortodoxa grega.
As autoridades jordanianas haviam prometido reagir com firmeza ao ataque sem precedentes contra cristãos no reino, ocorrido na sexta-feira, quando homens armados abriram fogo durante um funeral e mataram nove pessoas antes de fugir.
Após anunciar a prisão dos três autores do ataque na madrugada de segunda, as autoridades informaram à noite que realizaram ataques aéreos no sul da Síria.
Segundo o Exército jordaniano, as operações “destruíram várias posições terroristas” e mataram ou feriram “numerosos membros” de organizações ligadas aos responsáveis pelo atentado.
Já as autoridades de saúde da província síria de Daraa, no sudoeste do país, informaram em comunicado a morte de “seis mártires, entre eles três crianças e uma mulher”, revisando para baixo um balanço anterior de oito mortos.
A Defesa Civil da Síria confirmou esse número e acrescentou que outro ataque, na vizinha província de Sueida, matou um homem.
“Não houve qualquer coordenação prévia com a parte síria em relação à operação militar”, afirmou o governo sírio em comunicado divulgado pela agência estatal Sana.
A autoridade síria de fronteiras e alfândegas anunciou o fechamento da passagem fronteiriça de Nassib, conhecida como Jaber do lado jordaniano, “devido às circunstâncias atuais”, suspendendo todo o tráfego de passageiros e mercadorias nos dois sentidos.
Com nove mortos e 25 feridos, o ataque contra a Igreja de São Jorge, na localidade de Hammoud, no sul da Jordânia, foi fortemente condenado pelas autoridades do país, onde os cristãos representam cerca de 3% dos 11 milhões de habitantes.
“Este país deve continuar sendo um oásis de segurança e estabilidade”, declarou o diretor da Segurança Pública, Abdallah Maaytah, após o anúncio da prisão de três suspeitos na manhã de segunda-feira.
Os homens, membros de uma mesma família e classificados como “terroristas”, foram detidos em uma casa abandonada na província de Karak, à qual pertence Hammoud.
- “Ideologias obscurantistas” -
“Dois são irmãos e o terceiro é cunhado deles. Todos aderem à ideologia takfiri (islamismo extremista)”, explicou Maaytah durante uma coletiva de imprensa.
Feridos durante a troca de tiros com as forças de segurança no momento da prisão, os suspeitos foram hospitalizados. Em sua residência, foram apreendidas armas e uma “grande quantidade de munição”, acrescentou o responsável pela segurança.
Segundo o ministro do Interior, Mazen Al Faraya, “nada indica que tenham mantido contatos com o exterior ou colaborado com partes estrangeiras”.
Ao condenar o “atentado terrorista”, o rei Abdullah II da Jordânia prometeu na sexta-feira que os responsáveis seriam submetidos às penas “mais severas”.
“Prometemos que os terroristas não escapariam da justiça e que não será tolerado nenhum defensor de ideologias obscurantistas que dividam os jordanianos”, escreveu o monarca no X.
Na Jordânia, o homicídio é punido com pena de morte por enforcamento.
Ataques contra locais de culto, porém, são incomuns no país. Em 2016, um atentado em Karak teve como alvo um centro de segurança e patrulhas policiais, deixando dez mortos.
M.Fischer--AMWN