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Bolívia enfrenta bloqueios por escassez de dólares, mas governo nega
Transportadores de carga internacional e comerciantes bloqueiam nesta segunda-feira (20) com caminhões várias vias que conectam a Bolívia ao Peru e Chile, para denunciar uma escassez de dólares, algo que o governo nega.
"Hoje iniciamos nossas mobilizações, por enquanto é de 24 horas, mas pode ser indefinido com fechamento de fronteiras", advertiu Jorge Gutiérrez, da Câmara de Transporte Internacional do departamento de Oruro, em declarações à imprensa.
Os bloqueios ocorrem em pelo menos nove pontos dos departamentos de La Paz, Oruro (oeste) e Santa Cruz (leste), informou a Administradora Boliviana de Estradas, um órgão do governo.
Os manifestantes estacionaram seus caminhões bloqueando a passagem em ambas as direções em diferentes estradas, e em Oruro ergueram barricadas com terra e pedras, segundo imagens da televisão.
Simultaneamente, comerciantes marcharam em cidades como La Paz, Cochabamba, Sucre e Potosí. Ambos os setores denunciam a falta de dólares e a consequente queda das importações, e no caso dos transportadores, o aumento nos preços dos componentes.
Desde o ano passado, a Bolívia registra uma menor entrada de divisas devido a uma diminuição nas vendas de gás, sua principal fonte de receitas até 2020.
O governo de Luis Arce teve que recorrer às suas reservas internacionais para subsidiar o preço dos combustíveis importados.
Segundo os setores que protestam contra Arce, os bancos privados e estatais estão restringindo a entrega de dólares.
"Nosso setor está alarmado e vai se fazer respeitar. Não há dólares", afirmou o dirigente dos comerciantes, César Gonzales.
No entanto, o governo de Arce negou nesta segunda-feira uma escassez de divisas e apontou para o sistema financeiro e os especuladores.
"Há bancos que serão sancionados por não terem concedido esses recursos de forma oportuna. É aí que se gera essa especulação. Não é que não haja dólares", afirmou o ministro da Economia, Gonzalo Montenegro.
No mercado informal, o dólar foi negociado nesta segunda-feira a 8 e até 9 bolivianos por dólar, quando a taxa oficial fixada pelo Banco Central da Bolívia é de 6,96 bolivianos. No entanto, a AFP pôde constatar que em várias casas de câmbio em La Paz não havia oferta da moeda americana.
Segundo um relatório do ministério da Economia, os bancos têm "258 milhões de dólares disponíveis".
As autoridades também acreditam que os protestos respondem a motivações políticas.
O ministro boliviano de Obras Públicas, Édgar Montaño, acusou diretamente o ex-presidente Evo Morales, ex-aliado do governo, de ter dado "a instrução" de bloquear estradas.
Morales e Arce disputam a nomeação do partido oficial para as eleições presidenciais de 2025.
G.Stevens--AMWN