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Indígenas da Guatemala comemoram 500 anos de 'resistência' à 'invasão' espanhola
Com uma caminhada, cerimônias, danças, música e uma demonstração do ancestral jogo de 'pelota', indígenas comemoraram, neste sábado (20), em um povoado maia da Guatemala, os 500 anos de "resistência" após a colonização espanhola.
As atividades começaram com uma caminhada dos povos originários de Guatemala, El Salvador e Honduras, do centro do município de Tecpán (oeste) para o sítio arqueológico de Iximché, em uma "contra-celebração" da chegada à Guatemala da primeira expedição de conquistadores espanhóis, em 1524.
Durante o dia, grupos indígenas fizeram uma "retrospectiva da memória histórica dos 500 anos de luta" em Iximché, antiga cidade maia, onde os conquistadores espanhóis fundaram a primeira capital da Guatemala.
Nesta cidade, os descendentes dos maias dançaram ao ritmo de música de marimba em volta de um círculo de fogo feito com dezenas de velas de cera de várias cores, onde queimaram resinas de árvores.
"Estamos comemorando 500 anos da resistência. Foi uma invasão cruel e violenta", disse à AFP Pakal Rodríguez, integrante da Kaqchikel Taq Molaj, uma das entidades autóctones guatemaltecas organizadoras da comemoração.
"Hoje não estamos comemorando 500 anos, hoje estamos comemorando a memória dos nossos ancestrais; há 500 anos começou o grande massacre, a invasão destes territórios", lamentou à AFP o indígena Marco Tulio Pichiya, da organização Ralk’wal Pa Tz’iya’.
"O racismo, a discriminação, o genocídio, os grandes massacres não se celebram (...), Estamos em resistência como povos originários", insistiu.
Ele lembrou que esta cidade foi queimada pelo conquistador espanhol Pedro de Alvarado e criticou as atividades organizadas pela Prefeitura local para comemorar a chegada dos espanhóis. "Estas atitudes, estas ações de verdade são uma vergonha", afirmou.
Enquanto isso, Ixmukane Álvarez, da mesma entidade de Pakal, disse à AFP que é preciso "fazer estas retrospectivas da memória para agradecer e honrar a luta dos nossos avós".
"Acreditamos que é preciso falar do trauma da invasão para poder começar a curar toda a população", avaliou.
Álvarez agradeceu aos avôs e avós porque "nos ensinaram o caminho de nunca nos rendermos, acima da dor, acima do sofrimento, sempre temos esperança, sempre temos alegria, sempre lutamos pela vida".
D.Kaufman--AMWN