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Batalha legal nos EUA em torno de universitário pró-palestinos
Os advogados do governo dos Estados Unidos pressionaram, nesta sexta-feira (28), para que o caso de Mahmoud Khalil, um líder dos protestos pró-palestinos na Universidade de Columbia detido visando sua deportação, seja transferido para um tribunal mais alinhado com a política anti-imigração de Donald Trump.
Khalil foi detido em Nova York, onde reside, e transferido para Louisiana no início de março. Desde então, desencadeou-se uma guerra judicial e o início de uma série de detenções e revogação de visto de outros estudantes que participaram dos protestos para denunciar a guerra de Israel em Gaza.
O governo não acusou Khalil de violar qualquer lei, mas ordenou sua expulsão e o cancelamento de sua residência permanente por considerar que ele mina a política externa dos Estados Unidos.
Em uma audiência em um tribunal de Nova Jersey nesta sexta, o advogado de Khalil, Baher Azmy, acusou o governo de "adotar um argumento jurisdicional que soa como retaliação".
Por sua vez, o defensor do governo, August Flentje, disse que "o caso pertence à Louisiana", onde está preso para sua deportação, que é visto pelos defensores dos direitos humanos como mais favorável às políticas anti-imigração de Trump. O juiz ainda deve emitir uma decisão.
Khalil não estava na audiência, mas sua esposa Noor, que está prestes a dar à luz o primeiro filho do casal, compareceu com vários simpatizantes.
Fora do tribunal, dezenas de pessoas se reuniram para apoiar o ativista com bandeiras palestinas e cartazes. Um dos organizadores, que não quis dar seu nome, advertiu: "Vamos lutar contra esta caça às bruxas".
Sua detenção provocou a indignação dos críticos do governo Trump, assim como dos defensores das liberdades fundamentais, que consideram que o objetivo final é silenciar a liberdade de expressão.
O Departamento de Estado revogou o visto de cerca de 300 estudantes por participarem de protestos pró-palestinos, segundo o secretário Marco Rubio.
Entre eles, a turca Rumeysa Ozturk, aluna da Universidade de Tufts, e a sul-coreana Yunseo Chung, com permissão de residência permanente, que chegou aos Estados Unidos aos 7 anos e estudava em Columbia.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a detenção de Ozturk por vários agentes à paisana com o rosto coberto, esta semana em Massachusetts. Ela havia publicado um artigo pró-palestinos na revista de Tufts, onde cursa um doutorado.
Vários professores universitários processaram o governo Trump na terça-feira em Massachusetts, alegando que esta campanha contra estudantes estrangeiros é ilegal.
- "Medo" -
Após esta série de detenções, muitos estudantes envolvidos nas manifestações não escondem seu "medo".
"Nada te protege", diz uma aluna de origem latina com nacionalidade americana que participou ativamente no ano passado de protestos por um cessar-fogo em Gaza e pelo fim dos investimentos da Universidade de Columbia em interesses israelenses.
"Tomo precauções, vejo se alguém está me seguindo. Antes não tinha medo de deixar a porta do meu apartamento aberta, agora eu a fecho caso algum agente entre para revistar minhas coisas", conta à AFP.
A Universidade de Columbia se tornou um bunker: as portas estão fechadas para pessoas de fora do campus, os estudantes têm que apresentar sua identificação e a presença policial nas proximidades é grande.
Trump anunciou cortes na ajuda federal às universidades, de 400 milhões de dólares (2,3 bilhões de reais) no caso de Columbia. Para tentar recuperá-los, a instituição aceitou cumprir as exigências do governo.
Entre as medidas estão a presença no campus de dezenas de agentes de segurança com poderes para deter "agitadores" que promovam um "ambiente inseguro ou hostil ao trabalho", a proibição de andar com o rosto coberto, e a revisão da oferta de estudos regionais, em particular os relacionados ao Oriente Médio e Israel.
A.Malone--AMWN