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Xi diz a Zelensky que negociar é a 'única saída' para a guerra Ucrânia-Rússia
O presidente chinês, Xi Jinping, disse nesta quarta-feira(26) a seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, que o "diálogo e a negociação" são o único caminho para a paz, na primeira conversa entre ambos desde o início da ofensiva russa na Ucrânia.
"Sobre a questão da crise ucraniana, a China sempre esteve do lado da paz e sua posição fundamental é promover um diálogo de paz", afirmou o presidente chinês, segundo a rede estatal CCTV.
"O diálogo e a negociação" são a "única saída" para o conflito com a Rússia, afirmou.
Zelensky confirmou em um tuíte que teve uma "longa e significativa" conversa com seu homólogo chinês.
A ligação durou "quase uma hora", segundo o porta-voz de Zelensky, e foi de "iniciativa da parte ucraniana", destacou o Ministério de Relações Exteriores chinês.
Depois da conversa, Zelensky anunciou a nomeação de um embaixador no gigante asiático, um cargo vago desde fevereiro de 2021. Será ocupado pelo ex-ministro de Industrias Estratégicas, Pavlo Riabikin, de 57 anos, informou a Presidência.
A última vez que os líderes tinham se falado por telefone foi em julho de 2021.
A Rússia celebrou os esforços de Pequim, mas reprovou Kiev por "rejeitar qualquer iniciativa que busca uma solução política e diplomática para a crise".
"Consideramos boa a notícia de que houve uma conversa telefônica entre o presidente Xi e o presidente Zelensky", disse o porta-voz da Segurança Interna da Casa Branca, John Kirby, a repórteres.
"Agora, se isso levará a algum tipo de movimento, plano ou proposta de paz significativa, acho que não sabemos neste momento", esclareceu Kirby.
- Delegação chinesa na Ucrânia -
Zelensky considerou "necessário", em fevereiro passado, "trabalhar" com a China para resolver o conflito com a Rússia.
Em março, reiterou seu desejo de dialogar com seu homólogo chinês sobre este tema e "esperar uma resposta" de sua parte.
A China anunciou nesta quarta que enviará uma delegação à Ucrânia com o fim de buscar uma "solução política" para o conflito.
Pequim "enviará um representante especial do governo chinês, encarregado dos assuntos euro-asiáticos, para visitar a Ucrânia e outros países para manter uma comunicação com profundidade entre todas as partes, com vistas a uma solução política da crise ucraniana", declarou o Ministério de Relações Exteriores em uma coletiva de imprensa.
Segundo o resumo da conversa divulgado pela CCTV, Xi reiterou a Zelensky sua rejeição ao uso da arma nuclear, incluída em seu plano de 12 pontos para a paz, publicado em fevereiro.
"Ao abordar a questão nuclear, todas as partes implicadas devem manter a calma e a moderação, focar no próprio futuro e destino e de toda a humanidade, administrar e controlar a crise em conjunto", disse Xi.
A iniciativa chinesa apresentada há alguns meses incluía também um pedido de negociações entre Moscou e Kiev e o respeito à integridade territorial de todos os países.
A China não condenou a ofensiva russa na Ucrânia e intensificou, nos últimos meses, sua cooperação política e econômica com seu vizinho russo. O governo afirma, no entanto, ter uma posição neutra do conflito.
A China não reconheceu a anexação russa no final de setembro de quatro regiões ucranianas, entre elas Donetsk e Luhansk no leste, e Kherson e Zaporizhzhia, no sul. Também não reconheceu a anexação da península da Crimeia em 2014.
- Lula: "Fazer a guerra parar" -
A ligação entre os presidentes suscitou reações imediatas. A Rússia acusou a Ucrânia de "minar as iniciativas de paz" ao se recusar dialogar com Moscou.
China e Rússia fazem parte dos Brics, das potências em desenvolvimento, junto com o Brasil, Índia e África do Sul, dos quais nenhum apoiou as sanções adotadas pelas potências ocidentais contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.
O Brasil inclusive provocou mal-estar em Washington, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em meados de abril, após visitar Pequim, que os Estados Unidos incentivavam a guerra na Ucrânia.
Lula insistiu nessa quarta, em Madri, que ambas as partes deveriam negociar a paz.
"Ninguém pode ter dúvida que nós brasileiros condenamos a violação territorial que a Rússia fez contra a Ucrânia. O erro aconteceu e a guerra começou", afirmou Lula em uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
Porém, em seguida, ele acrescentou: "Agora não adianta ficar dizendo quem está certo ou errado. O que precisa é fazer a guerra parar".
Já a França afirmou que "apoia qualquer diálogo" que possa "contribuir para resolver o conflito" na Ucrânia, "conforme os interesses fundamentais" de Kiev e "o direito internacional".
A.Malone--AMWN