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Ucrânia lança drones contra a Rússia às vésperas da parada de 9 de maio em Moscou
A Ucrânia lançou uma salva de drones, obrigando a Rússia a restringir os voos em uma dezena de aeroportos nesta terça-feira (6), às vésperas do desfile de 9 de maio, em Moscou, onde dezenas de dirigentes, entre eles o presidente Lula, estarão para comemorar a vitória soviética sobre a Alemanha nazista.
O Kremlin anunciou que 29 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu contraparte chinês, Xi Jinping, estarão presentes na cerimônia militar na Praça Vermelha, na capital russa.
A cerimônia gera expectativa, pois se espera que o presidente russo, Vladimir Putin, use seu discurso para justificar a ofensiva lançada por Moscou na Ucrânia, em fevereiro de 2022, que deixou dezenas de milhares de mortos.
Esta operação militar permitiu que o exército russo tomasse amplas faixas de territórios do leste e do sul da Ucrânia.
"Esperamos a presença de 29 dirigentes estrangeiros no desfile da Vitória", declarou à imprensa o assessor diplomático do presidente russo, Yuri Ushakov.
Moscou também anunciou a presença dos dirigentes de Indonésia, Burkina Faso, Bósnia, Vietnã, Egito, Zimbábue, Iraque, Congo, Mianmar, Etiópia e Guiné Equatorial, que se unirão aos aliados tradicionais da Rússia na Ásia Central, entre outros.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chegou a Moscou nesta terça, após uma primeira escala em São Petersburgo, segundo veículos de comunicação cubanos e a agência russa Sputnik.
Também é aguardada a presença do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico - que desafia a posição da UE -, do chefe de Estado sérvio, Aleksandar Vucic, e do presidente dos sérvios da Bósnia, Milorad Dodik.
Este ano, para as comemorações da principal festa patriótica da Rússia, que termina com um desfile militar em frente ao Kremlin, Putin ordenou um cessar-fogo unilateral entre 8 e 10 de maio.
O Kremlin também afirmou que mantém uma trégua de três dias, proposta para coincidir com o desfile, que a Ucrânia tachou de uma mera tentativa de Moscou de garantir a segurança do evento.
A Ucrânia, que desde fevereiro de 2022 resiste às tropas russas, não disse claramente se vai aderir à trégua.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que a Rússia deve "se inquietar" com a segurança do desfile, que a cada ano atrai milhares de pessoas, que com frequência participam do ato em família.
Ushakov afirmou que "vão desfilar formações de 13 países", entre eles efetivos de China, Egito, Vietnã, Mianmar e várias ex-repúblicas soviéticas.
Nesta terça, Kiev advertiu que as tropas de terceiros países não marchem juntamente com soldados russos na Praça Vermelha, afirmando que isso equivaleria a "dividir a responsabilidade" das ações de Moscou na Ucrânia.
- Ataque afeta o tráfego aéreo -
Na madrugada desta terça-feira, a Ucrânia bombardeou o território russo com 105 drones, dirigidos principalmente contra Moscou e este ataque obrigou vários aeroportos a fechar.
O ataque perturbou as operações em uma dezena de aeroportos, quatro deles em Moscou, e alguns tiveram que fechar as pistas, segundo a agência russa de aviação civil Rossaviatsia.
Este ano, o governo russo prevê cerimônias em uma escala sem precedentes para comemorar o Dia da Vitória e há vários dias, as ruas de Moscou estão enfeitadas com as cores nacionais.
Várias lojas e restaurantes colocaram cartazes exortando as pessoas a "lembrarem" da vitória de 1945 e se sentirem "orgulhosas".
A Segunda Guerra Mundial, que ceifou mais de 20 milhões de vidas na União Soviética e exigiu sacrifícios sem precedentes da população, causou um trauma que ainda é sentido na sociedade e alimenta um patriotismo amplamente aproveitado pelo presidente russo.
Desde o início da ofensiva na Ucrânia, o governo russo proibiu qualquer crítica às forças armadas, intensificando uma repressão que levou centenas de pessoas à prisão e outras milhares ao exílio.
A Ucrânia criticou as comemorações de 9 de maio na Rússia, afirmando que não têm "nada a ver com a vitória sobre o nazismo" e que os militares que desfilam estão "muito provavelmente" implicados em crimes contra os ucranianos.
Em Moscou, a segurança foi reforçada e os organizadores do desfile proibiram aos espectadores levar cigarros eletrônicos, patinetes ou animais de estimação no desfile do Dia da Vitória.
Apesar da tensão, o ministério da Defesa russo anunciou, nesta terça, a troca de 205 prisioneiros de guerra ucranianos pelo mesmo número de russos.
Y.Aukaiv--AMWN