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Paquistão derruba 25 drones indianos perto de instalações militares
O Exército do Paquistão afirmou nesta quinta-feira (8) que derrubou 25 drones indianos, um dia após os confrontos mais violentos em duas décadas entre as potências nucleares vizinhas.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, prometeu represálias contra a Índia após o ataque de mísseis de quarta-feira.
Pelo menos 45 pessoas morreram nos dois lados da fronteira após os ataques de quarta-feira: 31 do lado paquistanês e 13 do lado indiano.
Nova Délhi também informou a morte de um soldado atingido por disparos paquistaneses.
O Exército do Paquistão afirmou nesta quinta-feira, em um comunicado, que derrubou "25 drones Harop de fabricação israelense" em vários pontos do país.
"Durante a noite, a Índia executou outro ato de agressão ao enviar drones para vários locais", declarou o porta-voz militar paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, em um quartel militar em Rawalpindi.
Um civil morreu e outro ficou ferido em Sindh devido aos incidentes com drones.
A Autoridade de Aviação Civil informou que o aeroporto de Karachi permaneceu fechado por várias horas, enquanto os aeroportos de Islamabad e Lahore interromperam as operações por alguns minutos "por razões operacionais". Todos já retomaram as atividades.
O ministro indiano das Relações Exteriores, Subrahmanyam Jaishankar, alertou que qualquer ataque do Paquistão provocaria uma "resposta muito firme" de Nova Délhi.
O Irã iniciou gestões para atuar como mediador no conflito. O ministro das Relações Exteriores de Teerã se reuniu esta semana com os homólogos dos dois países.
- Fogo cruzado -
A crise começou em 22 de abril, com um atentado na cidade turística de Pahalgam, na parte da Caxemira administrada pela Índia, que matou 26 pessoas, a maioria hindus.
A região de maioria muçulmana está dividida entre os dois países desde a independência do Reino Unido, em 1947, e é cenário de um movimento de insurgência que pede a independência ou anexação ao Paquistão.
A Índia, que acusa o Paquistão de apoiar os grupos insurgentes, responsabilizou o país vizinho pelo ataque de 22 de abril e ameaçou efetuar uma ação militar, que se concretizou na quarta-feira.
O Exército indiano anunciou que destruiu nove "acampamentos terroristas" no Paquistão com "ataques aéreos de precisão" na Caxemira e na região fronteiriça de Punjab, onde moram mais da metade dos 240 milhões de habitantes do país vizinho.
Pouco depois dos bombardeios, os exércitos iniciaram um fogo cruzado ao longo da fronteira na Caxemira que, segundo as Forças Armadas indianas, prosseguiu nesta quinta-feira.
"O Exército paquistanês efetuou disparos não provocados com armas pequenas e artilharia, aos quais o Exército indiano respondeu de forma proporcional", indicou um comunicado militar de Nova Délhi.
As Forças Armadas do Paquistão reivindicaram na véspera a derrubada de cinco caças de combate indianos na parte da Caxemira administrada por Nova Délhi.
As autoridades indianas não confirmaram oficialmente as perdas.
O bombardeio mais letal da aviação indiana atingiu um centro de estudos islâmicos perto da cidade de Bahawalpur, na região de Punjab. Segundo o exército paquistanês, 13 pessoas morreram no local.
- Pedidos de moderação -
Analistas aguardavam há vários dias a resposta militar da Índia ao ataque de 22 de abril, que não foi reivindicado, mas que Nova Délhi vincula ao grupo jihadista Lashkar-e-Taiba (LeT), radicado no Paquistão.
O grupo, designado como terrorista pela ONU, é suspeito de ter executado os atentados de 2008 em Mumbai que deixaram 166 mortos.
Índia e Paquistão travaram diversas guerras desde a divisão e independência dos domínios britânicos no subcontinente indiano.
"O mundo não pode se permitir um confronto militar entre Índia e Paquistão", alertou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
O secretário britânico de Comércio, Jonathan Reynolds, ofereceu a mediação de seu país para apoiar uma aproximação entre os dois países.
Estados Unidos, UE, Rússia e França também fizeram apelos por moderação. "Quero que as hostilidades parem", declarou o presidente americano Donald Trump.
O.Norris--AMWN