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Colômbia eleva a 12 número de menores mortos desde outubro em bombardeios militares
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, aumentou para 12, nesta segunda-feira (17), o balanço de menores mortos desde outubro em bombardeios militares contra guerrilheiros, em operações duramente criticadas pela oposição e por membros do partido governista.
No sábado, a Defensoria do Povo, entidade encarregada da defesa dos direitos humanos, denunciou a morte de sete menores recrutados à força por guerrilheiros em um ataque realizado em 10 de outubro no departamento amazônico de Guaviare (sul). A operação causou comoção no país.
Nesta segunda, o presidente acrescentou outros cinco menores: quatro mortos em um bombardeio em 1º de outubro no departamento de Caquetá (sul) e outro na quinta-feira passada em Arauca (nordeste), na fronteira com a Venezuela.
"Todos eles são vítimas do recrutamento forçado por parte de criminosos que os levaram para as hostilidades", escreveu Petro na rede social X.
Em nota, o Ministério Público Militar e Policial anunciou ter iniciado uma investigação para "verificar" se o ataque em Guaviare, no qual morreram 19 guerrilheiros, "se adéqua aos princípios e regras que orientam o uso legítimo da força pública no contexto do conflito armado".
O escritório de Direitos Humanos da ONU na Colômbia manifestou, no sábado, "profunda preocupação" com a morte dos menores e instou as forças colombianas a "adotarem todas as precauções" para proteger as crianças vítimas de recrutamento.
Em um primeiro momento, Petro se defendeu ao garantir que ordenou o bombardeio para evitar uma emboscada de rebeldes contra um grupo de soldados. Em seguida, lamentou, no X, a "perda dolorosa" dos menores.
"Levarei esse pesar na minha consciência e sei que nunca poderei superar a dor de suas mães, às quais peço perdão", disse o presidente.
Nesta segunda, Petro se negou a suspender os bombardeios diante do pedido da Defensoria do Povo.
Os ataques aéreos foram dirigidos a uma facção das dissidências das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) sob comando do criminoso mais procurado do país, conhecido como Iván Mordisco.
Este é um dos maiores escândalos de Petro com vistas às eleições presidenciais de 2026. O senador Iván Cepeda, candidato do partido governista, assegurou que estas ações "são claramente proibidas pelo direito humanitário".
Em 2019, o então ministro da Defesa Guillermo Botero renunciou ao cargo pressionado por debates de moção de censura no Congresso por ordenar um bombardeio no qual morreram menores.
Petro, então senador de oposição ao governo de direita de Iván Duque, qualificou esses fatos como um "crime de guerra".
F.Pedersen--AMWN