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Israel reabre a passagem de Rafah de maneira limitada
Israel reabriu de forma limitada neste domingo (1) a passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, vital para o envio de ajuda humanitária, que no momento só pode ser utilizada pelos moradores do território e sob condições drásticas.
O posto é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o exterior que não passa por Israel.
A reabertura foi solicitada com insistência pela ONU e por ONGs internacionais para permitir a entrada de ajuda no território palestino, devastado por dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas.
Contudo, as restrições impostas por Israel estão longe de atender às demandas da comunidade internacional.
Israel anunciou neste domingo que, "em conformidade com o acordo de cessar-fogo", reabriu a passagem fronteiriça, mas limitada "ao trânsito dos habitantes" da Faixa de Gaza.
"Nesse âmbito, uma fase piloto inicial começou hoje em coordenação com a missão da União Europeia (EUBAM) e as autoridades competentes", ressaltou o Cogat, organismo do Ministério da Defesa israelense que supervisiona as questões civis nos Territórios Palestinos Ocupados.
Segundo uma fonte do Ministério da Saúde de Gaza, que atua sob a autoridade do Hamas, "quase 200 pessoas enfermas" aguardavam a reabertura para receber tratamento no Egito.
Além disso, 40 funcionários da Autoridade Palestina aguardavam no Egito a autorização israelense para retornar, declarou à AFP uma fonte palestina.
A reabertura muito limitada acontece no contexto de uma trégua frágil entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.
No sábado, bombardeios israelenses deixaram 32 mortos, segundo a Defesa Civil de Gaza, um dos dias mais violentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025.
Israel afirmou que respondeu a violações do cessar-fogo.
A passagem de fronteira está fechada desde que as forças israelenses assumiram o controle do posto, em maio de 2024, com exceção de uma reabertura limitada no início de 2025, no âmbito de uma trégua anterior.
A reabertura total está prevista no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar em definitivo com a guerra iniciada em 7 de outubro de 2023 com o violento ataque do Hamas contra Israel.
O governo israelense advertiu, no entanto, que Rafah só seria reaberta após a entrega do corpo de Ran Gvili, o último refém que permanecia em Gaza desde o início do conflito. O cadáver foi devolvido a Israel em 26 de janeiro.
- Espera ansiosa -
O Cogat havia alertado na sexta-feira que seria necessária "uma autorização de segurança prévia" das autoridades israelenses para entrar e sair da Faixa de Gaza, em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia.
"Ainda não foi alcançado nenhum acordo sobre o número de palestinos autorizados a entrar e sair", declararam algumas fontes na passagem de fronteira. Também indicaram que o Egito pretende permitir a entrada de "todos os palestinos autorizados por Israel a sair de Gaza".
Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinos aguardavam com ansiedade a possibilidade de partir.
"Cada dia que passa, meu estado piora", disse Mohammed Shamiya, 33 anos, que enfrenta uma doença renal que exige tratamento de diálise e espera desesperadamente uma viagem ao exterior para receber atendimento médico.
Safa al-Hawajri, uma jovem de 18 anos que recebeu uma bolsa para estudar no exterior, disse que a esperança de concretizar suas ambições está "vinculada à reabertura" de Rafah.
A reabertura também deveria permitir a entrada em Gaza dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), responsável por administrar o território durante um período transitório sob a supervisão do Conselho da Paz, presidido por Donald Trump.
Enquanto Israel e o Hamas trocavam acusações diárias sobre violações do cessar-fogo, o governo dos Estados Unidos anunciou em meados de janeiro a passagem à segunda fase do plano de paz, que prevê, entre outras coisas, o desarmamento do Hamas, a saída progressiva do Exército israelense de Gaza e a presença de uma força internacional de estabilização.
Y.Nakamura--AMWN