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Trump anuncia prorrogação da trégua no Líbano, mas nenhum avanço sobre o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (23) uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano, enquanto os esforços para alcançar um acordo com o Irã seguem estagnados.
"O cessar-fogo entre Israel e Líbano será prorrogado por TRÊS SEMANAS", escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social após uma nova reunião entre representantes dos dois países em Washington.
Em vigor desde 17 de abril, a princípio a trégua deveria terminar no próximo domingo. A pausa representou um pouco de alívio para a população libanesa, imersa em um conflito que deixou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados no país desde o início de março.
Trump acrescentou que os Estados Unidos "vão colaborar com o Líbano para ajudar o país a se proteger contra o Hezbollah".
O movimento xiita libanês, que arrastou o país para a guerra em 2 de março ao atacar Israel em apoio a seu aliado Irã, rejeitou as negociações e prossegue com as operações no sul do Líbano.
Israel pretende criar uma zona de segurança nesta região do Líbano, o que inclui a destruição de vilarejos e bombardeios, que na quarta-feira (22) mataram uma jornalista libanesa.
O Hezbollah, por sua vez, anunciou que lançou foguetes contra o norte de Israel em resposta às "violações" do cessar-fogo por parte do Exército israelense.
- "Todo o tempo do mundo" -
Apesar da tensão, Trump disse que espera organizar uma reunião entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, nas próximas semanas.
O presidente libanês, que até o momento descartou a possibilidade de um encontro com o israelense, deve participar nesta sexta-feira da reunião de cúpula europeia de Ayia Napa, no Chipre, ao lado de seus homólogos egípcio, Abdel Fatah al Sisi, e sírio, Ahmed al Sharaa, e do príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein ben Abdalah.
Os membros da União Europeia (UE) anunciaram que pretendem abordar "a situação no Líbano e as negociações entre Israel e o Líbano", além de manter um "diálogo intensivo" com os Estados da região.
Quase dois meses depois do início, em 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos, a guerra contra o Irã continua afetando os mercados de energia e a economia mundial, apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo em 8 de abril.
O tráfego está paralisado no Estreito de Ormuz, por onde antes do conflito trafegavam 20% do petróleo e do gás exportados no planeta. Atualmente, a via está submetida a um duplo bloqueio iraniano e americano.
Na manhã de sexta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir na Ásia: o barril de WTI americano era negociado a mais de 97 dólares, enquanto o Brent do Mar do Norte, referência mundial, a quase 107 dólares.
Trump advertiu na quinta-feira que o tempo joga contra Teerã à medida que as exportações de petróleo estão em queda. "Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não", escreveu na rede Truth Social.
- Terceiro porta-aviões -
Washington mantém a pressão militar, com a chegada à região de um terceiro porta-aviões, o George H. W. Bush. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que aguarda o sinal verde dos Estados Unidos para retomar os ataques.
Trump, no entanto, demonstra mais prudência e afirmou que não tem intenção de usar uma arma nuclear contra o Irã, cuja civilização havia ameaçado destruir no início de abril.
"Por que eu usaria uma arma nuclear quando, de uma maneira muito convencional, nós os dizimamos sem ela?", questionou diante da imprensa.
Uma primeira rodada de conversações entre Irã e Estados Unidos no Paquistão em 11 de abril terminou em fracasso. O presidente americano atribuiu o adiamento indefinido de uma segunda sessão de negociações, que estava prevista para esta semana, às "divisões" dentro do poder em Teerã.
Por sua vez, enquanto o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, não apareceu em público desde que sucedeu o pai, Ali Khamenei, que morreu nos ataques do primeiro dia da guerra, o jornal New York Times informou na quinta-feira, citando fontes sob anonimato, que ele ficou "gravemente ferido".
Apesar das queimaduras no rosto, ele continua "lúcido e ativo", de acordo com o jornal.
burs/phs/roc/arm/cjc/pb/fp
A.Malone--AMWN