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Em meio ao caos geopolítico, Irã desafia a Bélgica em campo
A seleção iraniana, que considera ter sido discriminada pelo governo dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo de 2026, espera deixar momentaneamente de lado seus problemas fora do esporte para surpreender a Bélgica no domingo (21), em Los Angeles.
A guerra no Oriente Médio colocou em dúvida a presença do Irã no torneio na América do Norte, já que nunca antes um país anfitrião havia estado em conflito com uma nação participante.
Com seu campo-base em Tijuana, no México, a seleção iraniana viu cerca de 12 membros de sua comissão técnica e diretoria terem seus vistos recusados. Além disso, suas três partidas da fase de grupos são disputadas nos Estados Unidos, o que implica viagens complexas de ida e volta. Motivos pelos quais a equipe sente a falta de respaldo da Fifa.
Em sua estreia na competição, os iranianos empataram em 2 a 2 com a Nova Zelândia, em teoria o adversário mais fraco do Grupo G.
O técnico Amir Ghalenoei garantiu não buscar desculpas para seus jogadores, descrevendo sua seleção como "a mais maltratada de toda Copa do Mundo".
De volta a Tijuana, a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) apresentou um recurso à Fifa na quinta-feira, denunciando a falta de equidade, já que só podem entrar nos Estados Unidos no dia anterior às suas partidas, o que afeta a preparação para os jogos.
- "Mancha na história" -
A Bélgica chegou a Los Angeles na sexta-feira, vindo de Seattle para a partida marcada para domingo, enquanto os iranianos só poderão chegar à cidade no sábado.
O tratamento dado pelos Estados Unidos ao Irã é "uma mancha na história recente da Copa do Mundo", lamentou o secretário-geral da federação, Hedayat Mombeyni.
Washington, que acaba de assinar um primeiro acordo para pôr fim à guerra, se defende e explica que sempre avisou ao 'Team Melli' que viajaria na véspera de suas partidas.
O regulamento da Fifa prevê que as 48 seleções do torneio cheguem à cidade-sede na véspera de seus jogos ou dois dias antes "em casos excepcionais". O recurso iraniano, portanto, tem poucas chances de avançar, mas, apesar disso, seus adversários belgas se solidarizam com os contratempos.
"Não é fácil para eles, certamente não é uma preparação ideal", opinou o goleiro belga Thibaut Courtois na sexta-feira, durante um encontro com a imprensa.
"Mas talvez eles tirem disso uma motivação extra para se superar, não podemos subestimá-los", acrescentou o goleiro do Real Madrid.
– Apoio em "Tehrangeles" -
Em seu hotel em Tijuana, os iranianos contam com uma escolta de guardas nacionais fortemente armados durante seus deslocamentos até o local de treino.
O único contato com o exterior é a assinatura de autógrafos para torcedores mexicanos ou iranianos através das grades do hotel.
Diante do desafio representado pelos belgas, que estrearam empatando em 1 a 1 com o Egito, o Irã voltará a contar com um grande público no estádio de Los Angeles, com capacidade para mais de 70 mil pessoas.
A seleção iraniana recebeu um forte apoio contra a Nova Zelândia por parte da "Tehrangeles", a grande diáspora de iranianos nesta cidade da Califórnia. Alguns deles, porém, se manifestaram contra a atual República Islâmica, vaiando o hino.
Os mexicanos se somaram à torcida, reforçada pela calorosa recepção da seleção em Tijuana.
Com as quatro equipes do Grupo G empatadas com um ponto, o sonho do Irã de passar da fase de grupos pela primeira vez em sua história continua vivo.
O.Karlsson--AMWN