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EUA e Irã trocam ataques após ação contra navio em Ormuz
Estados Unidos e Irã trocaram ataques militares depois que Washington acusou nesta sexta-feira Teerã de agir contra um navio no Estreito de Ormuz, em um novo desafio à trégua em vigor, enquanto diplomatas se esforçam para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que seus bombardeios, que tiveram como alvo instalações de mísseis e drones iranianos, além de posições de radar, foram uma resposta a "uma agressão injustificada à navegação comercial pelas forças iranianas", e descreveu a operação como "uma resposta contundente ao ataque da véspera contra um navio comercial que transitava pelo Estreito de Ormuz".
Citando um repórter em Sirik, a TV estatal iraniana informou que uma explosão foi ouvida na noite desta sexta-feira no cais de Taherouyeh, naquela cidade do sul. O canal citou uma fonte militar, segundo a qual o estrondo foi causado pelo impacto de um projétil na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o ataque do Irã com drones no Estreito como uma "violação estúpida" do cessar-fogo. "Um deles atingiu em cheio o convés superior de um navio de carga grande e muito caro", enquanto outros três foram abatidos, publicou Trump na plataforma Truth Social.
O vice-presidente americano, JD Vance, lançou uma advertência direta, ao publicar no X que "a violência será respondida com violência" caso o Irã realize novos ataques. Minutos depois, já na manhã de sábado (27), a TV estatal reportou que a Guarda Revolucionária havia atacado alvos americanos no Golfo em resposta aos bombardeios.
"Se a agressão se repetir, nossa resposta será muito maior do que esta", ameaçou a Guarda, segundo uma publicação da rede Irib no aplicativo Telegram.
Essas trocas geraram novas dúvidas sobre os esforços para manter o Estreito aberto enquanto Washington e Teerã negociam um acordo final para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Em outra frente, Israel, Líbano e Estados Unidos assinaram nesta sexta-feira, em Washington, um acordo-quadro trilateral que busca abrir caminho para um tratado de paz entre os dois vizinhos do Oriente Médio.
"Temos o prazer de anunciar um acordo-quadro entre o governo soberano do Líbano e, naturalmente, o governo de Israel, com a mediação e o apoio dos Estados Unidos da América", disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante a cerimônia de assinatura. O acordo estabelece "um marco para uma paz e uma segurança duradouras", acrescentou.
A embaixadora do Líbano em Washington, Nada Hamadeh Moawad, afirmou que o acordo "é um primeiro passo no caminho para a restauração da soberania e da integridade territorial libanesas".
O representante diplomático israelense, Yechiel Leiter, disse que, em virtude do acordo, "o Irã fica de fora, o Hezbollah fica de fora e o caminho para a paz entre Israel e o Líbano fica aberto".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reiterou que seu Exército permanecerá no sul do Líbano até que o grupo pró-Irã Hezbollah deponha as armas. "O mais importante, acima de tudo, é que Israel permaneça na zona de segurança no sul do Líbano. Trata-se de uma conquista importante e a manteremos até que o Hezbollah seja desarmado", declarou Netanyahu em um vídeo pré-gravado, divulgado após o anúncio do acordo.
O presidente libanês, Josef Aoun, disse que o acordo representa "um primeiro passo" para o retorno dos civis aos seus lares "sob a soberania do Estado libanês". Mas apoiadores do Hezbollah saíram às ruas de Beirute na noite desta sexta-feira para protestar contra o documento.
O deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, disse que a assinatura em Washington buscava prejudicar o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que, segundo ele, previa que a situação do Líbano fosse resolvida por meio de um processo de paz mais amplo.
burs-ft/mlm/msp/arm/mvl/lb
O.Johnson--AMWN