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Ucrânia recupera terreno no leste com contraofensiva (análise AFP)
A Ucrânia recuperou terreno pela primeira vez em três meses graças a uma nova contraofensiva para afastar os russos de seus principais redutos na região de Donetsk (leste), segundo uma análise da AFP com base nos dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
A Operação Vivaldi, lançada no início de setembro para proteger as cidades-chave de Sloviansk e Kramatorsk, permitiu que as forças ucranianas recuperassem cerca de 172 quilômetros quadrados na região de Donetsk.
No início desta semana, o presidente Volodimir Zelensky visitou as tropas na região, especificamente no setor de Lyman, outra cidade situada a 10 km de Sloviansk.
Os dados do ISW mostram um avanço das forças ucranianas ao norte e ao sul de Lyman. No restante do país, a Ucrânia conseguiu recuperar apenas algumas dezenas de quilômetros quadrados nas regiões de Kharkiv (norte, 7 km²), Dnipropetrovsk (leste, 12 km²) e Luhansk (leste, 13 km²).
Por sua vez, o Exército russo lançou ofensivas em Zaporizhzhia (sul) e Sumy (norte), conquistando 104,5 e 20 km², respectivamente.
No balanço geral, as tropas ucranianas recuperaram cerca de 80 km², no primeiro balanço positivo para Kiev em três meses.
Setembro foi o sexto mês em que elas ganharam mais do que perderam em relação à Rússia desde a desaceleração dos avanços de ambos os lados no início de 2023.
- Frente estagnada -
Mais de quatro anos e meio depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, ambos os exércitos continuam estagnados na linha de frente.
Entre ambos se estende a chamada "zona da morte", com vários quilômetros de extensão, onde drones carregados com explosivos espreitam qualquer tipo de movimento.
Moscou controla pouco mais de 19% do território ucraniano, embora cerca de 7% corresponda à Crimeia e a áreas do Donbass que já estavam sob domínio russo ou de separatistas pró-Rússia antes de fevereiro de 2022. Mas a maior parte das conquistas russas ocorreu durante as primeiras semanas do conflito.
Segundo dados do ISW, desde janeiro de 2026, a Rússia só avança em média 15,5 km² por mês. Em comparação, a Rússia conquistava em média aproximadamente 405 km² por mês em 2025.
As estimativas do instituto excluem os ganhos territoriais anunciados pela Rússia, o que não foi confirmado ou negado pelo ISW.
Enquanto isso, continuam estagnados os esforços diplomáticos para pôr fim ao pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Moscou demanda que a Ucrânia ceda faixas de território ainda controladas por Kiev em áreas que a Rússia afirma ter anexado. Kiev rejeitou estas exigências por considerá-las uma capitulação que deixaria todo o país vulnerável a um futuro ataque russo.
Segundo as Nações Unidas, as mortes de civis estão em seu nível mais alto desde os primeiros meses da guerra, devido, principalmente, a ataques de Moscou com mísseis e drones de longo alcance contra Kiev e outras cidades ucranianas.
M.Thompson--AMWN