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Ucrânia acusa EUA de ajudar Rússia enquanto Kiev sofre novos ataques
A Ucrânia acusou nesta quarta-feira (14) os Estados Unidos de favorecer a Rússia ao não alertar Kiev sobre ataques com mísseis e ao limitar capacidades do sistema de satélites Starlink, de Elon Musk, enquanto o país enfrenta uma nova onda de bombardeios russos.
As críticas surgiram após ataques russos que deixaram pelo menos 15 mortos e causaram danos à infraestrutura energética ucraniana, em meio ao agravamento das tensões entre o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e o dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Haverá mortos, é claro, se os ataques continuarem e o Starlink não funcionar. Espero sinceramente que isso seja um erro, talvez um grande problema técnico. Não sei, mas pedimos que o serviço seja restabelecido", declarou Zelensky ao jornalista britânico Piers Morgan.
Musk afirmou que qualquer redução de desempenho da rede militar Starshield na Ucrânia decorre de decisões do governo dos Estados Unidos, e não da SpaceX.
"Os sistemas Starshield pertencem e são controlados pelo governo dos Estados Unidos. Qualquer limitação de velocidade ou de uso é decidida pelo Exército dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente” Trump, escreveu Musk no X.
O bilionário destacou a diferença entre o Starshield, utilizado pela Ucrânia para comunicações militares na linha de frente, e o Starlink, restrito a usos civis. Ambos os sistemas foram desenvolvidos pela SpaceX.
Diversas fontes ucranianas afirmaram nesta quarta que o funcionamento de alguns terminais Starlink, usados para comunicações no campo de batalha e interceptação de drones, foi restringido durante a noite sem aviso prévio.
Segundo essas fontes, o Starlink passou a interromper o sinal entre um satélite e uma antena quando esta se desloca acima de determinado limite de velocidade, em torno de 160 km/h, dificultando a interceptação de drones e afetando ataques de alcance intermediário.
"O SpaceX continua mantendo um limite de 161 km/h", informou o Ministério da Defesa da Ucrânia na noite desta quarta, ao observar uma qualidade de conexão "melhorada".
Essas restrições "privam" Kiev de sua capacidade de defesa contra drones a jato utilizados com frequência pela Rússia nos últimos meses, denunciou Serguii Beskrestnov, assessor de Zelensky.
Ataques russos realizados entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta deixaram ao menos sete mortos em todo o país, segundo autoridades ucranianas. Outras seis pessoas morreram em ataques na cidade de Lutsk, no oeste da Ucrânia, e duas morreram na região central de Kirovohrad.
- Sem alertas -
Além do Starlink, a Ucrânia depende de informações de inteligência fornecidas por aliados ocidentais, especialmente pelos Estados Unidos, para detectar ataques russos e identificar alvos.
Mas a intensificação das tensões entre Zelensky e Trump, que já declarou apoiar uma mudança de liderança na Ucrânia, alimenta temores em Kiev sobre uma eventual redução do apoio americano. Segundo autoridades ucranianas, um sinal disso seria a ausência de alertas por duas noites consecutivas.
Na noite de terça, um míssil russo atingiu uma usina termelétrica na capital ucraniana sem que tivesse sido emitido "qualquer alerta prévio por parte dos aliados" da Ucrânia, lamentou Zelensky. Situação semelhante já havia ocorrido na noite anterior.
Um alto funcionário ucraniano disse à AFP, sob condição de anonimato, que os Estados Unidos teriam ameaçado interromper o compartilhamento de informações de inteligência caso Kiev não suspendesse os ataques contra as refinarias russas.
O Kremlin declarou que acompanha "de perto" qualquer sinal de mudança na posição de Washington.
No entanto, uma autoridade americana negou à AFP qualquer alteração na cooperação com a Ucrânia, e a União Europeia também afirmou não haver "indícios" de interrupção desse apoio.
Após os ataques noturnos, Zelensky denunciou no X o "desprezo ostensivo" do Kremlin pela trégua anunciada de forma inesperada por Trump no domingo. Segundo o presidente ucraniano, cerca de 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade.
Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter atacado durante a noite usinas termelétricas em Kiev e arredores, além de instalações na região de Kharkiv.
Moscou também acusou a Ucrânia de violar a suposta trégua energética ao atacar duas refinarias localizadas nas regiões russas de Saratov e Riazan. Dmitro Litvin, assessor de Zelensky, negou a acusação e afirmou que outros alvos foram atingidos, "mas não as refinarias".
A Rússia anunciou ainda ter derrubado mais de 900 drones ucranianos durante a noite.
Na entrevista a Piers Morgan, Zelensky admitiu sentir-se "traído" depois que Trump anunciou um acordo para fornecimento de diesel com a Rússia, país submetido a amplas sanções ocidentais.
Apesar disso, ao iniciar uma reunião com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Downing Street, o presidente ucraniano afirmou que continua "contando com a colaboração dos Estados Unidos".
burs-phz/pb-erl/jvb/mvv/ic
S.F.Warren--AMWN