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'Somos ricos demais', diz o famoso fotógrafo Martin Parr
O renomado fotógrafo britânico Martin Parr afirma que a sátira em suas imagens nunca foi tão necessária quanto agora, em um mundo com tantas pessoas ricas e estilos de vida insustentáveis.
"A situação em que nos encontramos é terrível", afirma este homem de 73 anos, conhecido por suas imagens de banhistas bronzeados e turistas tirando selfies, com as quais busca refletir o turismo de massa, o consumismo e o mundo do luxo.
"Somos ricos demais. Estamos consumindo todas essas coisas do mundo", diz em uma entrevista à AFP o fotógrafo, que publica uma autobiografia visual com 150 imagens acompanhadas de textos escritos por ele e Wendy Jones.
Em suas fotos das hordas de turistas que invadem cidades como Roma ou Veneza, Parr denuncia um modo de vida "insustentável".
"Essa piada sobre alcançar emissões zero (de gases de efeito estufa) nunca se tornará realidade", lamenta.
Sua autobiografia se chama "Utterly Lazy and Inattentive", em referência ao comentário que uma professora de francês escreveu em suas notas quando ele tinha 14 anos.
O livro revisita a trajetória deste artista de olhar perspicaz, filho de um ornitólogo.
Entre as fotos selecionadas para a obra, está o primeiro "drive-in" do McDonald's na Irlanda, inaugurado em 1986, os banheiros de uma loja maçônica em Londres em 2001 ou um adulto abraçando um boneco de Donald Trump em 2016, antes de sua eleição como presidente dos Estados Unidos.
O fotógrafo já viajou pelo mundo todo: Coreia do Norte, Rússia, Japão, Albânia... retratando tudo o que via. Ele gostaria de ter visitado o Irã, mas nunca conseguiu o visto, afirma.
- Supermercados -
Mas seu lugar predileto continuará sendo o supermercado. Os locais de consumo cotidiano continuam sendo importantes em 2025 porque "estão em constante evolução", insiste este membro da prestigiosa agência Magnum.
"Agora você nem precisa passar pelo caixa. Só precisa sair", afirma, em alusão às lojas onde um sistema de rastreamento cobra diretamente dos consumidores.
Sobre os smartphones, afirma que "trouxeram uma grande mudança em aspectos como o turismo, no que as pessoas fazem" e como respondem à realidade.
Hoje em dia parece que o objetivo de visitar um lugar turístico famoso é apenas tirar fotos, e não prestar atenção no local. "Você acumula pontos, como faria em um jogo", comenta.
A inteligência artificial lhe parece menos problemática.
"Vi interpretações do meu trabalho feitas pela IA. São horríveis", afirma. "Vai melhorar, mas não me preocupa nem um pouco".
Já viu vários livros sobre sua vida na internet. "Todos são gerados por uma IA (...), e em geral são horríveis", diz entre risos.
A AFP encontrou em um site americano uma biografia sua escrita por um autor desconhecido, com um título de 17 palavras e uma descrição mal redigida. Parr diz que a comprou. "Eu as coleciono só por diversão", brinca.
G.Stevens--AMWN