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Bombeiros resgatam das chamas restos mortais dos primeiros reis de Aragão, na Espanha
Bombeiros espanhóis salvaram das chamas, nesta sexta-feira (14), um mosteiro histórico no nordeste da Espanha que abriga os restos mortais de monarcas medievais, retirados às pressas na quinta-feira diante do avanço de um grande incêndio na região de Aragão.
Os bombeiros transportaram os restos mortais dos primeiros reis do reino medieval de Aragão em grandes caixas de plástico transparentes, junto com diversos objetos históricos, para colocá-los em segurança, segundo imagens divulgadas pela Unidade Militar de Emergências (UME), enquanto o fogo avançava pelas colinas ao redor.
"Ontem, foram tomadas as medidas adequadas, rapidamente, de forma que, no último momento, foi possível resgatar bens de extraordinário valor histórico para esta terra e para toda a Espanha", declarou à imprensa o chefe da unidade da UME mobilizada para combater o incêndio, Javier Marcos.
"Não confio na evolução do incêndio, por isso ainda temos pessoal protegendo os dois mosteiros", acrescentou.
O incêndio começou no início da semana e avançou na quinta-feira em direção aos dois mosteiros de San Juan de la Peña, símbolos de Aragão. O mais antigo data do século X, e ambos ficam em uma região montanhosa e íngreme perto da fronteira com a França.
O conjunto histórico, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, fica perto do Caminho de Santiago e recebe cerca de 100.000 visitantes por ano.
"Tem um valor simbólico incalculável. A perda do patrimônio... São nossas raízes; ali está a nossa história", afirmou Félix Longás, dirigente da Real Irmandade de San Juan de la Peña. "O fogo chegou às portas. O vento mudou de direção."
"Neste momento, o principal seriam os capitéis, mas todos estamos esperançosos porque parece que as temperaturas vão cair ainda nesta tarde, há previsão de chuva para amanhã e isso poderia permitir que o incêndio fosse definitivamente extinto", detalhou.
Segundo as autoridades regionais, o incêndio afetou mais de 10.000 hectares, embora elas não tenham informado quantos foram queimados. Cerca de 850 pessoas tiveram que deixar suas casas em povoados próximos.
O presidente de Aragão, Jorge Azcón, não descartou novas retiradas de moradores e afirmou que três aviões de combate a incêndios poderiam chegar da França para reforçar o trabalho dos 500 bombeiros mobilizados.
A Espanha, um dos países mais expostos ao aquecimento global, teve um início de verão marcado por vários incêndios devastadores.
Um deles devastou cerca de 50.000 hectares na região de Ávila, a oeste de Madri, e é considerado o maior incêndio registrado na Espanha na história recente.
As chamas devastaram mais de 283.000 hectares na Espanha desde o início do ano, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis), após um recorde em 2025, quando cerca de 400.000 hectares foram queimados.
B.Finley--AMWN