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Príncipe Harry afirma que processo contra tabloides busca o 'interesse geral'
O príncipe Harry afirmou, nesta quarta-feira (21), que o processo contra a editora de dois tabloides britânicos corresponde a um "interesse geral", segundo seu depoimento como testemunha, no terceiro dia do julgamento, no Tribunal Superior de Londres.
"Evidentemente, há um componente pessoal ao apresentar esta ação, motivado pela verdade, pela justiça e pela responsabilização, mas não se trata apenas de mim. Há também um componente social que diz respeito às milhares de pessoas cujas vidas foram invadidas pela ganância", afirmou o príncipe.
O filho mais novo do rei Charles III há muito tempo culpa a mídia pela morte de sua mãe, a princesa Diana, que morreu em um acidente em Paris em 1997 enquanto tentava fugir dos paparazzi.
"Estou decidido a exigir responsabilidades" à editora dos tabloides Daily Mail e Mail on Sunday, "pelo bem de todos. Acredito que é de interesse geral", afirmou, nesta quarta-feira, no processo por "coleta ilícita de informação" contra a Associated Newspapers Ltd (ANL).
- "Obtenção ilícita de informação" -
Vestido com um terno escuro e gravata listrada, o príncipe, de 41 anos, subiu ao palanque, jurando sobre a Bíblia, antes de responder às perguntas da equipe jurídica da ANL, no terceiro dia de um julgamento que deverá durar nove semanas.
Os dois tabloides britânicos, acusados de hackear telefones e outras formas de "obtenção ilícita de informação" contra o príncipe Harry e outras seis pessoas, entre elas o cantor Elton John e seu marido, David Furnish, haviam indicado, na terça-feira (20), que recorreram a fontes "legítimas" para suas reportagens.
Os outros quatro demandantes são as atrizes Liz Hurley e Sadie Frost, uma ativista pelos direitos civis e contra o racismo, Dorren Lawrence, e um ex-político britânico, Simon Hugues, do Partido Liberal Democrata.
Doreen Lawrence ficou conhecida no Reino Unido pelo seu trabalho de combate à discriminação racial após o assassinato de seu filho Stephen, em 1993.
Os advogados dos demandantes indicaram que os supostos atos ilegais foram realizados entre 1993 e 2011, embora alguns tenham ocorrido até 2018.
Segundo os advogados, os tabloides empregaram detetives particulares para escutar ligações telefônicas e obter informações privadas, como faturas detalhadas de telefone ou históricos médicos, assim como extratos bancários.
No entanto, Anthony White, advogado da ANL, afirmou na terça-feira que o julgamento demonstrará que a empresa "apresenta um relato convincente de um padrão de obtenção legítima de fontes para os artigos".
- Terceiro julgamento do príncipe -
Este julgamento é o terceiro e último caso apresentado pelo príncipe contra uma editora britânica de jornais.
Harry iniciou sua luta contra os tabloides em 2023, tornando-se o primeiro membro da realeza britânica a depor em um tribunal em mais de um século, ao testemunhar como parte de um processo contra o Mirror Group Newspapers (MGN).
O Tribunal Superior de Londres, naquela ocasião, decidiu que Harry foi vítima de um hackeamento telefônico e determinou uma indenização de 140.600 libras (cerca de 1 milhão de reais) por danos e prejuízos.
Em janeiro de 2025, Harry chegou a um acordo financeiro com o editor Rupert Murdoch.
O News Group Newspapers (NGN) de Murdoch apresentou suas desculpas a Harry "pela espionagem telefônica, vigilância e o uso indevido de informação privada por parte de jornalistas e investigadores privados" instruídos pelo grupo.
Segundo documentos escritos pelos advogados do príncipe, revelados na segunda-feira (19), no primeiro dia do julgamento, as práticas dos tabloides "perturbaram profundamente" Harry.
"Eu tinha a impressão de que cada um dos meus gestos, cada um dos meus pensamentos ou cada um dos meus sentimentos era vigiado unicamente para que o Mail tirasse dinheiro", disse o príncipe, citado nesses documentos de sua defesa.
As instrusões do tabloide em sua vida privada o deixaram "extremamente paranoico" e o isolaram, confessou nos documentos.
D.Kaufman--AMWN