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G7 comemora a 'mudança' de Trump sobre a Ucrânia
Os aliados dos Estados Unidos no G7, o grupo das economias mais avançadas do planeta, comemoraram, nesta quarta-feira (17), a "mudança" do presidente americano, Donald Trump, sobre a Ucrânia, ao final de uma cúpula de "unidade" em Evian, na França, onde concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia.
O acordo entre os Estados Unidos e o Irã, a guerra na Ucrânia, a inteligência artificial, minerais críticos... Durante três dias, os líderes do G7 e de países convidados, como o Brasil, buscaram convergir sobre os principais desafios internacionais nesta cidade aos pés dos Alpes franceses.
Diferentemente da cúpula do ano passado, quando Trump partiu antes do tempo, os líderes do G7 acordaram uma declaração final que abordou questões geopolíticas cruciais, entre elas a Ucrânia e a Rússia.
"Foi um trabalho duro, mas valeu a pena", disse o chefe do governo alemão, Friedrich Merz.
Além de aumentar o abastecimento para a defesa aérea da Ucrânia após mais de quatro anos de guerra, os líderes concordaram em "aumentar a pressão sobre a economia de guerra russa", reforçando as sanções, inclusive nos setores de petróleo e gás.
O presidente francês, Emmanuel Macron, comemorou uma "mudança muito profunda na abordagem dos Estados Unidos" sobre a Ucrânia e disse que o presidente americano tinha entendido que seu colega russo, Vladimir Putin, não se interessava pela paz.
- "Momento de unidade" -
"O presidente Trump, como todos nós, simplesmente reconheceu que não há atualmente uma vontade verdadeira de parte da Rússia para falar de paz", explicou Macron, comemorando um "momento de unidade" dentro do G7 após meses de "divisões".
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, confirmou que, sobre a Ucrânia, houve "muita convergência, que nem sempre é evidente" e que "não houve fricções, nem divergências".
Ao longo da cúpula, da qual o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, participou, Trump adotou uma postura mais dura frente a Moscou, ao afirmar que a Rússia tinha que buscar um acordo e mostrar impaciência com o número de baixas dos dois lados.
Em sua última coletiva de imprensa, o magnata republicano elogiou suas conversas com seu par ucraniano em Evian e um telefonema recente com Putin.
"Os dois querem fazer algo, simplesmente não sabem como fazê-lo", comentou.
Donald Trump sempre se negou a apontar um país como culpado por este conflito, e põe Kiev e Moscou no mesmo plano de responsabilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Siva também se reuniu com Zelensky, a quem expressou o desejo de que "o Conselho de Segurança da ONU possa atuar de forma mais efetiva para encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos", segundo postou no X.
- "Regular melhor" -
Durante um almoço, nesta quarta-feira, o setor digital ocupou um lugar central, com alguns membros europeus do G7 pressionando para obter uma proteção maior aos menores de idade em um mundo que muda rapidamente.
Participaram, entre outros, Sam Altman, diretor da gigante de Inteligência Artificial (IA) OpenAI; o diretor da Anthropic, Dario Amodei; e o fundador do laboratório de IA Google DeepMind, Demis Hassabis.
Segundo uma declaração conjunta, o G7 e os países convidados pediram às empresas tecnológicas que desenvolvam e apliquem "tecnologias e sistemas que garantam experiências seguras, protegidas e adequadas para cada idade".
Macron apoiou a necessidade de "regular melhor" estes modelos de inteligência artificial "para evitar que caiam nas mãos de regimes autoritários" e advertiu para o risco de uma falta de cooperação "entre democracias".
Altman, por sua vez, advertiu os líderes "que não cedam suas responsabilidades" sobre a inteligência artificial às empresas que a desenvolvem.
Em outras declarações, o G7 se comprometeu a reduzir "significativamente" sua dependência da China e a lançar até novembro uma "rede" de portos seguros para o combate ao narcotráfico.
- "Ouro de verdade" -
A França, anfitriã da cúpula do G7, se esforçou para que o previsível presidente americano permanecesse durante todo o evento.
Em um gesto incomum, Macron o convidou, nesta quarta-feira, para jantar no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, assim que a cúpula for concluída, embora tenha assegurado que não será um jantar de "gala".
Mesmo assim, o ato promete ser relativamente majestoso, com dezenas de convidados que participarão do jantar no interior do palácio, antecedido de um concerto e seguido de uma queima de fogos de artifício.
Na terça-feira, o presidente americano disse ter aceitado o convite, pois o palácio do "Rei Sol" francês Luís XIV "não é folheado a ouro", mas é "ouro de verdade".
F.Pedersen--AMWN