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Neymar, uma marca registrada
Enquanto aguarda sua estreia na quarta Copa do Mundo com a Seleção brasileira, Neymar é uma marca poderosa com receitas publicitárias astronômicas, apesar de lesões que ofuscaram o seu brilho e de uma imagem que divide opiniões.
Quando foi convocado pelo técnico Carlo Ancelotti em maio para o torneio, o jogador do Santos, de 34 anos, comemorou nas redes sociais com anúncios.
"A convocação que todos estávamos esperando", lançou a empresa alemã de material esportivo Puma, com a qual Neymar tem o maior de seus contratos publicitários, que incluem também a Red Bull e o Mercado Livre.
O ex-jogador do Barcelona e do Paris Saint-Germain é o terceiro atleta mundial com os maiores rendimentos em publicidade e patrocínio, cerca de 30 milhões de dólares anuais (151,2 milhões de reais), segundo a Forbes.
Só ficam à sua frente o argentino Lionel Messi (70 milhões de dólares) e o português Cristiano Ronaldo (50 milhões de dólares).
As lesões têm limitado Neymar nos últimos anos em campo, mas sua influência fora das quatro linhas é enorme.
"O Neymar é um canhão de mídia", diz à AFP Renê Salviano, CEO da agência de marketing esportivo Heatmap. "É um personagem que divide opiniões", mas "é uma figura muito forte", acrescenta.
- Lesões e críticas -
Enquanto parte da torcida defende sua presença na Seleção, alguns criticam sua primeira convocação desde 2023, questionando seu estado físico.
Pelo Santos, ele disputou apenas oito dos 18 jogos até agora no Campeonato Brasileiro, embora tenha marcado quatro gols e dado duas assistências.
Devido a uma lesão muscular na panturrilha direita, ele perdeu a estreia da Seleção na Copa do Mundo, no sábado, contra o Marrocos (1 a 1), embora possa estar disponível na sexta-feira, contra o Haiti.
Ao convocá-lo, Ancelotti "se submeteu" a um "circo" para "fazer toda esse 'oba-oba' com o merchandising", escreveu o jornalista Mauro Cezar Pereira em sua coluna no portal UOL.
O italiano garantiu, por sua vez, ter tomado a decisão "sem nenhum tipo de pressão externa".
A questão é que com ou sem Neymar, a Seleção é, por si só, uma marca enorme, com um amplo leque de patrocinadores. Apenas pelo contrato com a Nike, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebe entre 100 e 120 milhões de dólares (504 milhões e 605 milhões de reais) por ano, segundo a imprensa local.
- Tendência -
"Nós o convocamos não só pela sua qualidade técnica, que é indiscutível. Mas também por sua experiência e pelo exemplo que ele pode representar para os jovens que temos nesse grupo", disse Ancelotti na semana passada, nos Estados Unidos, ao defender mais uma vez sua decisão.
Muitos dos jogadores que dividem o vestiário com Neymar cresceram o admirando.
"Ele é o meu ídolo (...) Todos os movimentos que aprendi foi vendo ele" jogar, declarou Vinícius Júnior.
"Nada que Neymar faz passa despercebido", indica Reginaldo Diniz, CEO da agência de comunicação End to End.
Diniz destaca também a influência de Neymar para além do futebol. Ele "sabe como vender a própria imagem (...) Desde os tempos em que usava moicano, cada passo seu ditava tendência", acrescenta o especialista.
Seu estilo de jogo vistoso, habilidoso, tem sido um impulsionador de marca, segundo os especialistas.
"É o tipo de futebol que as pessoas querem ver", diz Salviano.
Ainda assim, ele continua sendo uma figura que divide opiniões.
Em uma rua do Rio de Janeiro, pintada por ocasião da Copa do Mundo, Celso Mendes brigou com vários vizinhos para incluir Neymar: "Eu era o único que queria", disse à AFP.
A figura do atleta também chega à política e entrou em campo de olho nas eleições presidenciais.
"Flávio é Neymar. Neymar é Flávio", publicou nas redes sociais o Partido Liberal (PL) do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e contra quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará a reeleição.
Neymar apoiou publicamente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, na qual perdeu para Lula.
L.Mason--AMWN