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Rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
O veterano político trabalhista Andy Burnham venceu nesta sexta-feira (19) uma eleição suplementar crucial que lhe garante uma cadeira no Parlamento britânico e abre caminho para um desafio à liderança do pressionado primeiro-ministro Keir Starmer.
Burnham, prefeito da Grande Manchester e com uma trajetória de destaque no Partido Trabalhista, derrotou de maneira contundente o candidato do movimento de extrema direita Reform UK no distrito de Makerfield, noroeste da Inglaterra.
O popular político de 56 anos, que já foi ministro da Saúde, afirmou que planeja enfrentar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação de alto risco para ter condições de iniciar a disputa.
Se Starmer deixar o cargo de chefe de Governo em 2025, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos.
"Eu falo ao meu próprio partido: esta é a última chance para mudar", declarou Burnham em um discurso de agradecimento após obter quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9.000 votos.
"Isto é o que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Devemos ouvi-las, devemos atuar em conformidade e devemos fazer isso da maneira correta. Não haverá uma segunda chance", disse.
"Mas agora há, sim, uma oportunidade, a partir do resultado desta noite", acrescentou.
Starmer expressou "felicitações" a Burnham pela vitória, em uma mensagem na rede social X. "Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio", escreveu o chefe de Governo.
O primeiro-ministro, no cargo desde julho de 2024, se aferra ao poder desde que o Partido Trabalhista sofreu uma derrota esmagadora nas urnas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado.
- "O rei do norte" -
O líder britânico enfrentou diversas guinadas de 180 graus em suas políticas e um escândalo relacionado à nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador em Washington.
Dezenas de deputados trabalhistas pediram a renúncia de Starmer e vários ministros deixaram seus cargos.
Mas o ex-advogado, de 63 anos, se recusa a renunciar, insistindo que sua vitória eleitoral esmagadora sobre os conservadores em 2024 lhe concedeu um mandato de cinco anos para governar.
Em meio à crescente impaciência dentro do partido governante, o deputado trabalhista Josh Simons renunciou ao seu assento em Makerfield para que Burnham pudesse retornar ao Parlamento e concorrer à liderança da legenda.
A medida sem precedentes deu destaque ao relativamente desconhecido distrito eleitoral e proporcionou ao seu eleitorado, de quase 77.000 pessoas, uma grande influência sobre o destino de Starmer.
As pesquisas mostram que Burnham, chamado de "rei do norte" por ter conquistado três mandatos consecutivos como prefeito, é o político trabalhista mais popular e venceria uma votação direta contra Starmer.
A votação de quinta-feira pela cadeira de Makerfield foi considerada um teste para ver se Burnham seria capaz de derrotar o Reform UK, liderado pelo extremista Nigel Farage, de forte orientação anti-imigração.
A região é predominantemente branca e de classe trabalhadora, o que a torna um terreno fértil para a legenda de extrema direita, que ultrapassou o Partido Trabalhista nas pesquisas nacionais há mais de um ano.
A campanha de Kenyon, um encanador da localidade, foi prejudicada por comentários ofensivos que ele fez nas redes sociais sobre as mulheres, enquanto o pequeno partido de extrema direita Restore Britain tirou votos do Reform.
- "Mudança" -
A participação na votação foi de 59%, a mais elevada em uma eleição parcial em sete anos, com mais de 45.000 votos registrados.
Burnham, que foi deputado de 2001 a 2017, integra a chamada ala de esquerda moderada do Partido Trabalhista e é um crítico aberto do governo mais centrista de Starmer.
Agora todas as atenções estão voltadas para quando ele dará o passo contra o primeiro-ministro.
Burnham tomará posse como deputado na segunda-feira (22). Segundo as regras do Partido Trabalhista, os aspirantes à liderança precisam ser deputados.
Ele poderá reunir facilmente o apoio de 81 dos mais de 400 deputados da legenda, o mínimo necessário para iniciar uma disputa pelo comando do partido.
Na quarta-feira, Starmer disse que estava disposto a oferecer a Burnham um "papel importante" em seu governo, em uma tentativa de evitar o desafio, uma ideia que, segundo a imprensa, foi rejeitada pela equipe do então prefeito.
Y.Aukaiv--AMWN