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Trump reduz exercícios militares com Coreia do Sul e sugere contatos com o Norte
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu reduzir "substancialmente" a participação dos Estados Unidos em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, deu a entender nesta segunda-feira (17) que manteve contatos com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un.
O presidente, que critica Seul por não tê-lo ajudado em sua guerra contra o Irã, gabou-se nesta segunda-feira de tornar a região "mais segura" graças a essa decisão, anunciada no domingo, um dia antes do início das manobras.
Em meio à tensão entre Pyongyang e Seul, Trump voltou a enfatizar a importância de seus vínculos com o líder da Coreia do Norte, uma potência nuclear.
Trump se reuniu em três ocasiões, durante seu primeiro mandato na Casa Branca, com o líder norte-coreano, mas os dois ainda não se encontraram desde que Trump assumiu seu segundo mandato presidencial, no ano passado.
Na avaliação do presidente americano, os exercícios militares conjuntos com seu aliado sul-coreano enviam um sinal "inadequado e hostil" à Coreia do Norte.
Nesta segunda-feira, ele voltou a repreender Seul, um aliado fundamental, por não ajudá-lo a combater o Irã em uma guerra que, segundo o presidente, tem como objetivo impedir que Teerã obtenha a bomba atômica.
Quando perguntaram a Trump por que Kim não havia respondido a seus pedidos de conversa desde seu retorno à Casa Branca, o presidente disse aos jornalistas no Salão Oval: "Como vocês sabem que ele não respondeu?"
Ao insistirem sobre se Kim havia realmente respondido, Trump disse: "Sim, ele respondeu."
Questionado sobre em que estágio estavam as conversas com Kim, Trump afirmou que elas "são muito positivas", mas não deu mais detalhes.
Em seguida, Trump voltou a insistir em seus elogios a Kim e afirmou que seus vínculos reduzem as tensões na península coreana.
– "Estranho" –
Trump criticou a Coreia do Sul em sua rede Truth Social na noite de domingo, anunciando abruptamente que havia ordenado ao Pentágono que reduzisse os exercícios militares.
Nesta segunda-feira, voltou à carga. "Um momento. Temos 39 mil soldados lá, protegendo vocês de Kim Jong Un, seu vizinho de porta, e vocês não vão nos ajudar em uma operação militar muito simples no Irã. Isso é estranho", disse Trump, referindo-se ao contingente militar americano na Coreia do Sul.
O presidente voltou a colocar em dúvida o apoio americano tanto à Coreia do Sul quanto a seus aliados da Otan, que se recusaram a contribuir para a guerra no Irã.
"Não podemos sair por aí protegendo todos esses países, especialmente quando eles não estão lá para nos ajudar", afirmou.
Autoridades sul-coreanas disseram que os exercícios haviam começado conforme o previsto e que confiavam que a química pessoal entre Trump e Kim os levaria de volta à mesa de negociações.
O gabinete presidencial sul-coreano afirmou nesta terça-feira (18) que os exercícios não refletem “nenhuma intenção de atacar a Coreia do Norte nem de escalar as tensões na península coreana”.
O presidente Lee Jae Myung reiterou que seu objetivo fundamental “não é tratar uma entidade específica como adversária, mas proteger a vida cotidiana segura e pacífica da população”, acrescentou seu gabinete.
A Coreia do Norte não respondeu publicamente, embora já tenha manifestado anteriormente seu descontentamento com as manobras conjuntas regulares realizadas no Sul.
Os exercícios em andamento são chamados de Escudo da Liberdade Ulchi. As manobras têm duração prevista de 11 dias e têm como objetivo preparar conjuntamente a defesa contra a Coreia do Norte.
O coronel Ryan Donald, porta-voz do Comando das Forças Combinadas Americanas e Sul-Coreanas, afirmou que as manobras simularão combates contra soldados norte-coreanos, fortalecidos por sua participação na guerra da Rússia contra a Ucrânia.
– Críticas –
Jack Reed, principal democrata do Comitê de Assuntos Militares do Senado, classificou a medida do presidente republicano como "insensata e improvisada".
"A China e a Rússia estão observando o quão facilmente este presidente abandona os aliados dos Estados Unidos e se lembrarão disso na próxima vez que nos colocarem à prova", denunciou em um comunicado.
A redução das manobras "prejudicará a coordenação da aliança (entre Estados Unidos e Coreia do Sul, ndlr), atrasará o processo para que a Coreia do Sul assuma mais responsabilidade por sua própria defesa e enfraquecerá a dissuasão de possíveis conflitos na Ásia", comentou à AFP Leif-Eric Easley, professor de estudos internacionais da Universidade Ewha, em Seul.
A Coreia do Norte considera os exercícios um ensaio de invasão e, na quarta-feira, lançou um míssil balístico sobre o mar do Japão em sinal de protesto.
Os dois países asiáticos encerraram a guerra de 1950-53 com um armistício, e não com um tratado de paz.
X.Karnes--AMWN